Zahyra Mattar
Tubarão

Os trabalhos de recuperação da área afetada pelo vazamento de óleo diesel e gasolina em Tubarão iniciaram ontem pela manhã. O estrago provocado por um acidente na ponte sobre o Rio Correias na noite de segunda-feira, não foi tão grave quanto se supunha. “Reavaliamos toda a situação hoje (ontem) e não haverá um impacto ambiental de grande magnitude. Mas isso não quer dizer que isso não ocorrerá. Somente que será menor devido às rápidas providências”, explica o engenheiro químico da Fatma, Rudemar Silveira da Cunha.

Ele e equipes da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos (Cetric) e da empresa Suatrans Emergências Químicas – ambas contratadas pela empresa que efetuou o transporte da carga – construíram barreiras na ponte sobre o Rio Correias e do Rio Congonhas (onde há as comportas) para evitar que o material avance em grande quantidade para a Lagoa do Camacho. “Um pouco do óleo já vazou para a lagoa durante a noite. Agora, a meta é trabalhar rápido para retirar o acumulado das margens e do leito do rio para evitar outro desastre ambiental”, pontua Rudemar.

Pela manhã, o tanque da carreta foi removido. À tarde, foi a vez da cabine. Paralelamente, a Cetric iniciou a recuperação do solo embaixo da ponte. A terra será escavada até que não seja encontrado mais óleo. “Hoje, reavaliamos toda a situação e percebemos que o impacto foi menor daquilo que imaginamos. Tudo que puder ser recuperado será”, reforça o engenheiro químico da Fatma, Rudemar Silveira da Cunha. O material escavado será levado para um aterro industrial em Chapecó, no oeste do estado. Depois, o solo será reposto.

O curso do rio foi novamente percorrido ontem para reavaliar a situação. Constatou-se que a maioria do material ficou impregnado nas plantas das margens em uma área de aproximadamente 17 quilômetros de extensão. “O Rio Correias tem muito igarapés e vegetação ciliar. Isso ajudou. Esta vegetação será removida e novas replantadas. A lâmina que segue pelo rio será retirada um turfa, uma substância orgânica que absorve o material”, detalha o engenheiro.

Multas
O caso deverá gerar um processo administrativo por parte da Fatma – pelo qual é prevista multa que pode chegar a R$ 50 mil – e uma investigação do MP – onde os envolvidos podem responder por crime ambiental. No caso de Tubarão, responderão a fornecedora, a transportadora e a empresa que receberia o combustível.

Ainda não se contabilizou prejuízos na pesca
Ainda se não contabilizou e pode ser que isso nem mesmo chegue a ocorrer. Na manhã de ontem, técnicos da Fatma em Tubarão e da empresa Suatrans Emergências Químicas, contratada pela transportadora do combustível, montaram uma barreira de contenção na ponte entre Tubarão e Jaguaruna (ponte de Congonhas), para evitar que o óleo chegue à Lagoa do Camacho, em Jaguaruna. Mais de duas mil pessoas sobrevivem da pesca naquele complexo.

A Polícia Militar Ambiental em Laguna utilizou redes de pesca apreendidas e conseguiu reduzir a passagem da mistura de óleo diesel e gasolina na correnteza. Nesta área, a vegetação ciliar também será removida para evitar que qualquer vestígio do óleo fique na natureza. Tudo será reposto. Ainda que a barreira tenha minimizado o problema acima do esperado, o engenheiro químico da Fatma, Rudemar Silveira da Cunha, explica que o óleo já chegou ao manancial. “Mas o impacto não é grande e não acredito que será. A área é monitorada desde terça-feira e não há registro de peixes mortos. Isso é uma boa notícia. Significa que as medidas de contenção estão funcionando”, estima Rudemar.