Com o lema “cultivar e guardar a criação”, evento incentiva cristãos a valorizar o meio ambiente e desenvolver ações de mudanças na preservação dos biomas.

Lysiê Santos
Tubarão

O Brasil é rico em extensão, vegetação, clima e solos variados. Em função dessas características, há uma evidente diversidade de biomas, que são sistemas de organização socioambiental formado por todos os seres vivos de uma determinada região.

Essa diversidade biológica e a relação com a sociedade tem resultado em consequências drásticas ao meio ambiente e necessitam de atenção urgente em busca de soluções. E esse é o papel que a Campanha da Fraternidade 2017 pretende cumprir. Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida”, e o lema “cultivar e guardar a criação (Gênesis 2.15)”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) quer dar ênfase às recorrentes problemáticas e impactos socioambientais à diversidade de cada bioma, promover relações respeitosas com a vida, o meio ambiente e a cultura dos povos que vivem nesses espaços.

Em mensagem para a Campanha da Fraternidade, o Papa Francisco deixou elucidadas as demandas que existem em torno deste tempo. “Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais”.

Francisco destaca que o desafio do cuidado da casa comum deve ser um compromisso global “pelo qual toda a humanidade passa”. “É necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres”, disse o Papa.

Campanha se estende durante Quaresma
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O pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima, do Humaitá, em Tubarão, padre Nilo Buss, explica que a campanha iniciou na quarta-feira de cinzas e ocorre até a Páscoa. Ele afirma que a proposta é que durante o período espiritual de reconciliação e reflexão, os cristãos tomem atitudes de mudança e cuidado com a natureza e a sociedade.

“A Quaresma é um tempo de penitências, de compromisso com Cristo e nesse tempo devemos mostrar nossas ações e cuidados com o reino animal, vegetal e mineral. Em Gênesis diz que somos responsáveis pela criação e precisamos guardá-la e cultivá-la”, detalha o padre.

Ele conta que durante as missas estão sendo apresentadas reflexões e discussões para melhorar o ambiente o qual estamos inseridos. “Não podemos assistir de forma passiva à destruição dos ecossistemas existentes nos biomas, esse assunto deve estar na ordem do dia. Temos que ver as possibilidades da mudança urgente dos costumes, do padrão de consumo, do descarte do nosso lixo. Precisamos pressionar o poder público a tomar medidas básicas de investimentos nesses setores”, pontua.

Coleta da Solidariedade será revertida a projetos sociais
A campanha será encerrada com a Coleta da Solidariedade realizada no dia 9 de abril, Domingo de Ramos. Na ocasião, todo o dinheiro arrecadado nas missas deste dia será dividido entre o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS) e o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), onde o FDS fica com 60% dos recursos, destinados a todos os projetos sociais da própria comunidade diocesana, já os outros 40%, o FNS reverte no fortalecimento da solidariedade entre as diversas regiões do país. “É um belo gesto da comunidade, podemos chamar de um gesto generoso, onde todo o valor arrecadado com essas doações, a comunidade envolvida ajuda a igreja a desenvolver projetos de proteção humana e também a sustentar a ação pastoral”, ressalta o padre Nilo Buss.

Tubarão sediará Romaria da Terra e da Água
As romarias tradicionais estão centradas na individualidade, na promessa, no transcendente e as Romarias da Terra e da Água tem como foco o coletivo e a realidade do povo. “A romaria contribui para transformar a mística e a espiritualidade em gesto e compromisso concretos”, relata o padre. Esse ano, Tubarão sediará o evento estadual que ocorrerá no dia 10 de setembro. Nilo Buss conta que a romaria vem de encontro com o tema da campanha da fraternidade e deve discutir temas importantes como a preservação da água potável e o esgoto sanitário. “Na nossa região, apenas São Ludgero tem a rede de esgoto tratada. Tubarão e os demais municípios ainda enfrentam problemas diários com a falta de saneamento básico e outros fatores. A romaria pretende ir além do espiritual e trazer ações práticas à sociedade”, destaca.

Campanha sugere ações concretas para cuidado com os biomas brasileiros
1 – Incentivar a criação de um projeto de lei que impeça o uso de agrotóxicos;
2 – Reforçar as articulações e resistências apoiando os povos tradicionais nas mobilizações e nas lutas por direitos e regularização de seus territórios;
3 – Fortalecer as iniciativas como as cooperativas, baseadas no agroextrativismo;
4 – Fortalecer a Rede Panamazônica (Repam), como espaço de articulação e intercâmbio das várias redes eclesiais que atuam em conjunto na sociedade amazônica;
5 – Fomentar e/ou apoiar ações relacionadas a despoluição e revitalização das bacias hidrográficas e baías;
6 – Incentivar o desenvolvimento de projeto de preservação, recuperação e valorização das frutas e ervas medicinais;
7 – Desenvolver a captação de energia solar descentralizada, como fonte de renda para as famílias e produção de energia;
8 – Reformular e ampliar a rede de captação de água de chuva para beber e produzir;
9 – Fortalecer as políticas públicas para melhoria do saneamento básico e transporte público de qualidade;
10 – Promover campanhas de conscientização quanto ao descarte adequado dos resíduos sólidos e es-gotos sanitários para preservar os rios, lagoas e igarapés.