Rafael Andrade

Braço do Norte

Um jantar retrô em prol de Jadilson Adriano Nazário Pereira, morador de Braço do Norte, é organizado por parentes e amigos. O evento será no bairro Rio Bonito, no Salão Comunitário, na noite de 18 de abril, a partir das 20h.

Jadilson recebeu alta na última sexta-feira, está hospedado na casa de um familiar, pois sua casa não tem condições de recebê-lo. Natural de Braço do Norte, este será a primeira ação beneficente para angariar fundos para o seu tratamento. Os ingressos estarão à disposição até no dia, ou enquanto não esgotarem.

Os primos e tios estão contribuindo mensalmente de forma espontânea com qualquer valor para que ele tenha condições de cobrir as despesas com a cuidadora. Um grande movimento fantástico está se iniciando na cidade e região para dar o acalento e mobilidade necessários para o braçonortense. A prefeitura e as secretarias de Assistência Social e de saúde também foram acionadas para prestar serviço à família.

O evento é organizado por um grupo de amigos via aplicativo WhatsApp – denominados Selecionados. Este é o segundo evento beneficente feito pelo grupo. “O primeiro foi ano passado e foi um sucesso. Não temos fins lucrativos, queremos fazer apenas pelo bem”, resume o primo João Paulo Pereira Kniess, um dos participantes. “Nosso objetivo é construir uma casa nova com todas as adaptações necessárias para Jadilson”, pretende o voluntário.

As lutas e as doenças 

Em 7 de junho de 1974, nasceu um menino que foi destinado a lutar pela vida. Aos 2 meses ficou doente, na época a medicina não era tão evoluída, então foi difícil descobrir o que estava acontecendo (foi realizada uma cirurgia na virilha e, até hoje, nunca foi descoberto o porquê). Depois de muitos exames, foi diagnosticada uma meningite e ele foi ‘mandado’ para morrer em casa. Sua mãe, inconformada, resolveu procurar algum remédio caseiro e então eles tiveram uma última esperança. Disseram: “vai parecer que morreu, mas não se assustem e esperem…”. E assim foi feito. Depois de duas horas acordou, tomou mamadeira e, aos poucos, foi melhorando para seguir com uma vida normal de criança.

Aos 12 anos, começou a sofrer com úlceras nas pernas. As veias estouravam e surgiam feridas. Os anos seguintes foram de muita dor, curativos, idas e vindas ao hospital, onde chegava a passar meses, voltando para casa durante uma semana e partindo para mais uma etapa internado.

Inverno, verão, não importava a estação, ele estava sempre de calça para esconder as faixas e curativos nas pernas. Sempre tentou disfarçar sua dor. Rapaz alegre, brincalhão, amigo de todos e sempre pronto para ajudar o próximo… Se o problema fosse de saúde, então, não media esforços. Procurar uma consulta médica, conseguir uma receita para um remédio, marcar exames, marcar perícia ou levar alguém para consultar… Amigos, parentes ou mesmo estranhos, sempre se doou para ajudar. E quando alguém falecia, lá estava ele com sua palavra de conforto. Sempre com uma mulher guerreira ao seu lado, que o incentivava e o acompanhava, dona Rosa do Ginásio, como era conhecida. Casou em 14 de dezembro de 2002. Dois meses depois do casamento, precisou passar por uma cirurgia, e em 2004, mais uma.

“Entre um exame e outro descobrimos que seria praticamente impossível termos um filho biológico. Momento triste para quem ama criança, mas superamos e resolvemos entrar na fila de adoção. Ficamos na espera por cinco longos anos e íamos tanto ao Fórum perguntar quanto tempo ainda iria demorar que acredito já estarem enjoados da nossa cara”, lembra Rosa. Em outubro de 2006, uma dor insuportável na perna direita… Levado ao hospital e internado às pressas, depois de vários exames e 15 dias internado, foi recebida a triste notícia de mais uma doença, dessa vez Trombose Venosa Profunda (ou Síndrome Pós Trombólica, onde o sangue vai coagulando e falta circulação). A partir daí, remédios para afinar o sangue, para circulação e metade dos dias deitado com a perna elevada para ajudar na melhora dos sintomas. “Não pôde mais trabalhar”, recorda a esposa.

No dia 24 de junho de 2010, foram ao Fórum para saber se ainda estavam dispostos a adotar uma criança. E lá estava Maria Eduarda, de 3 meses, que chegou alegrando e iluminando a vida do casal. Nos anos seguintes Jadilson começou a desenvolver Síndrome do Pânico. Mais remédios, mais despesas, até sair o resultado do recurso e reestabelecer o pagamento do benefício, que havia sido negado.

Em agosto de 2019, depois de um machucadinho se tornar maior e maior e não cicatrizar, então teve que amputar um dedo do pé direito. Meses tomando mais remédios, curativos, repouso, recuperação lenta devido ao diabetes. Até que nos primeiros dias de dezembro piorou, os dois pés escurecendo e trombose. Internado às pressas, descobriram que os dois rins estavam parados. Primeira etapa era fazer uma raspagem no pé direito para limpar a parte comprometida pela falta de circulação, e a segunda etapa era cuidar dos rins. Seis dias de UTI, muitas complicações, muitos procedimentos, hemodiálises e incertezas. Até que depois de 22 dias, em 30 de dezembro de 2019, voltaram pra casa. Uma semana depois passou mal e, de volta ao hospital precisou fazer uma raspagem agora no pé esquerdo, necrosado por falta de circulação.

 

E agora?

Os dois pés enfaixados com ferimento aberto, não tinha como dar pontos… Mesmo com cuidados, dentro do hospital, tomando remédios e com avaliação dos médicos, necrosou novamente. Sem circulação, a solução mais segura: amputar as duas pernas acima do joelho.

Uma decisão difícil, mas que permitiria tentar estender a vida e acabar com a infecção que só mostrava avanço. A cirurgia foi difícil, mas tudo correu da melhor forma possível e ele voltou ao quarto. Muitas dores, físicas e emocionais, muita tristeza e cansaço.

Ele continua cheio de dores, lutando pela vida, louco para voltar para casa e reunir a família novamente. “Hoje, tenho plena certeza que ele continua firme, cheio de dores, mas vivo graças às orações da família e amigos que estão na torcida para que volte para casa com fé e coragem de continuar lutando. E nós temos muita gratidão a Deus por nos dar mais uma chance e nos dar força para seguir nessa luta”, complementa Rosa.

Para quem quiser ajudar na recuperação dele bastar depositar qualquer valor na agência 1070 – operação 013 – conta 25194-8 (favorecido: Jadilson Adriano Nazario Pereira).