#Pracegover foto: na imagem há um idoso caminhando com o auxilio de uma profissional de saúde e uma bengala
#Pracegover foto: na imagem há um idoso caminhando com o auxilio de uma profissional de saúde e uma bengala

O Notisul desde outubro do ano passado vem abordando em suas matérias jornalísticas as crescentes denúncias de maus-tratos sofridas por internos dos Abrigo dos Velhinhos de Tubarão. A casa de repouso está localizada no bairro São João Margem Direita e acolhe idosos há mais de 50 anos. As acusações são feitas por ex-funcionários, ex-voluntários, voluntários, ex-internos, filhos de internos e filhos de ex-moradores do local.

Conforme um ex-funcionário José Adauto, o abrigo sempre recebeu muitas doações e muitas coisas eram levadas do local pela auxiliar administrativa Mirtes. “Vi muitas vezes a dona Mirtes saindo com o carro dela com alguma coisa. Como ela tem a chave e acesso a tudo, chegava a hora que queria e saia quando bem entendia. Vi muita coisa desaparecer de doações, eletrodoméstico, alimentos e eram muitas coisas que não sabíamos onde tinha parado. Há muito dinheiro desviado. Entreguei várias vezes envelopes fechados que chegavam para a dona Mirtes”, expõe.

A filha de uma interna Sirlene Gomes Rosa, afirma que a situação na casa de repouso é de descaso. “Levaram a minha mãe para o hospital e não me avisaram. Soube de coisas horríveis. A minha mãe disse que apanhava. Fiquei com ela 5 dias no hospital e era só isso que ela falava. Minha mãe apanharia de chinela se falasse alguma coisa”, conta.

A ex-servidora da casa Ângela Maria Souza, explica que por diversas noites foi obrigada a abrir inúmeras caixas de leite e jogar o alimento no esgoto e que outros alimentos eram enterrados nas bananeiras. “Foram várias coisas que não gostei e por isso pedi as contas”, lamenta.

De acordo com Maria de Fátima Francisco, filha de Honorata e Pedro Francisco, os seus pais eram internos do local e um deles ficou cerca de 20 dias sem fazer uso de uma medicação por negligência da direção do abrigo. “Uma enfermeira do horário noturno perguntou se o meu pai não fazia mais uso do medicamento. Disse que continuava e fiquei apavorada com a situação”, detalha.

A massoterapeuta e filha de uma interna, Gislaine Davi Pessoa, assegura que os maus-tratos no local ocorrem e que já presenciou uma situação constrangedora. “Uma idosa estava na cadeira de rodas chorando e pedindo para tirar a fralda dela. Quando a fralda ‘incha’ demais ela começa a cortar a virilha. A técnica de enfermagem gritou com a idosa e ameaçou de não dar o café para ela”, lembra.

Filho do ex-interno Ido Souza, Paulo Henrique de Souza, conta que só foi saber que o seu pai estava doente porque o idoso falou por meio de contato telefônico. “Quando fui atrás dos funcionários da casa é que falaram dos sintomas dele. Ninguém procurou os familiares. Soube que o meu pai estava grave, mas também fui informado que havia outros em estado pior de saúde”, sustenta.

Ex-interno do Abrigo dos Velhinhos de Tubarão, Ido Souza, de 85 anos, pontua que esteve no lugar por quase três anos e durante todo o período foi só de sofrimento e maus-tratos. “Agora que sai de lá está tudo bem. Já engordei nesse novo lar”, menciona.

Também ex-moradores do abrigo, o casal Honorata e Pedro Francisco, explicam que residir na casa localizada no bairro São João Margem Direita era muito ruim. Segundo a idosa, as refeições não eram bem-feitas e durante toda a semana era servido apenas um tipo de carne, por exemplo, de domingo a domingo os idosos só se alimentavam de frango. Não havia variedade e também não era servido nem suco por mais que tivesse no local.

A ex-funcionária Jaqueline Furtado Pereira, respalda o depoimento da também ex-servidora Ângela. Jaqueline cita que por dois anos viu alimentos ainda na validade serem descartados, ex-funcionários baterem nos internos e ainda, um idoso estava com insetos no ouvido. “Uma técnica de enfermagem ‘bateu’ SBP dentro do ouvido do idoso. Falávamos e elas não davam ouvidos. Nos víamos apuradas. A Mirtes colocava muita pressão nos funcionários e não era pouco. Não aguentávamos. Na frente das visitas, os idosos eram bem tratados, mas quando os visitantes saiam eles eram maltratados. Elas batiam neles”, garante.

As advogadas e integrantes da comissão do idoso da Ordem dos Advogados do Brasil, em Tubarão, Viviane Ferri e Silvia Raimundini, lamentam a situação ocorrida pelos idosos e afirmam que já acompanharam as testemunhas e denunciaram o caso aos órgãos públicos. Um inquérito policial foi aberto, porém após algum tempo foi arquivado.

Os denunciantes afirmam que os maiores problemas do local são causados pela direção da instituição, a presidente, Schirlei Terezinha da Rosa Mendonça e a auxiliar administrativo, Mirtes de Campos. A equipe do Notisul buscou contato com a presidente e a diretora, a primeira não respondeu as mensagens do aplicativo WhatsApp nem atendeu as ligações, já a segunda também não respondeu as mensagens pelo aplicativo, mas atendeu a ligação e quando questionada encerrou a chamada. Após esse episódio buscamos realizar novas ligações para Schirlei e Mirtes, porém os telefones estavam desligados.

Estatuto do Idoso

Lei Nº 10.741, de 1º de outubro de 2003

Art. 99. Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado:

Pena – detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa.

§ 1o Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:

Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

§ 2o Se resulta a morte:

Pena – reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos

 

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