São Paulo (SP)

A procuradora da República Thaméa Danelon Valiengo afirmou, ontem, que a justiça não aceitou o acordo proposto pela defesa do megatraficante colombiano Juan Carlos Abadia. Ele esteve durante três horas em audiência na 6ª Vara Criminal Federal, no centro de São Paulo, para tentar selar um acordo em que oferecia de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões mais informações em troca de benefícios.

Segundo a procuradora, apesar de o Ministério Público Federal ter concordado com alguns pedidos, como a extinção da pena da esposa dele – que responde por lavagem de dinheiro, uso de documentos falsos e formação de quadrilha -, e não ter se oposto à extradição aos Estados Unidos, o juiz Fausto de Sanctis rejeitou todas as propostas.

O megatraficante havia solicitado também a transferência imediata dele para um presídio no interior de São Paulo, mas a promotoria não concordou por questões de segurança. Em troca, além do dinheiro, Abadia ofereceu os nomes de três comparsas que estão no exterior e iriam se entregar à justiça americana, além da delação de um homem que está no Brasil.

Thaméa explicou que a justiça não concordou com o acordo, que deveria ter ocorrido de maneira formal e ter sido homologado. O advogado de defesa, Luiz Gustavo Bataglin Maciel, não deu detalhes do que Abadia ofereceu à justiça, mas explicou a decisão. “O juiz entendeu que não poderia conceder esses benefícios previamente por escrito”, afirmou. A procuradora da República lamentou a rejeição das propostas.

“Acho que o dinheiro poderia ter destinações sociais. Seria um valor que a sociedade brasileira não poderia abrir mão porque ele não estava pedindo em troca a soltura dele ou absolvição. A mulher dele estava clandestina no país. Ela sendo solta, será deportada. Não vejo prejuízo à sociedade”, afirmou.

Abadia voltou ontem ao presídio de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. A defesa pode recorrer da decisão. O advogado de Abadia disse que ainda vai analisar a possibilidade de recurso.