A queda abrupta das cotações do petróleo no mercado internacional e a ameaça de uma nova recessão global, levaram o pânico nesta segunda-feira (9/3), às bolsas de valores de todo o mundo, que caíram mais de 7%.

No Brasil, o desespero foi ainda maior e o Ibovespa, principal índice de lucratividade da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), despencou 12,17%.

Um dia após o caos nos mercados financeiros mundial, que ainda têm na conta uma crise com o  novo coronavírus, as principais bolsas abriram nesta terça-feira em alta, evoluindo para um crescimento mais sólido no decorrer do pregão.

Mas o que isso afeta a economia local, de cidades como Tubarão por exemplo? É que os empresários que atuam em cidades menores não têm autonomia suficiente para tomar decisões e a única saída é aguardar uma orientação dos Governos.

Pelo menos essa é a visão do presidente da Associação Empresarial de Tubarão (Acit), Edson Martins Antônio. Para o empresário, que mostra otimismo diante do cenário de crise, ainda não há com o que se preocupar, mas pondera as palavras para dizer que está de mãos atadas e isso pode resultar em retração econômica.

Não a ponto de haver demissões, atrasos de pagamentos de contas, nada disso. É que para Edson, nos próximos 15 dias a economia local deve passar por um “congelamento” e a tendência é que os empresários fiquem na inércia, sem comprar novos produtos e vender (quase) nada.

“Temos que esperar os ânimos acalmarem, o que sentimos hoje é o resultado de uma movimentação momentânea e com isso vivemos em um ambiente de insegurança porque não temos influência no mercado nacional e internacional. A decisão mais sensata é aguardar porque durante este período nada vai mudar, como preço de mercadorias e produtos de consumo. Saberemos disso mais adiante”, explica.

Tudo é sobre o dólar

Ainda é cedo para pensar em uma retração econômica, mas já é visível o impacto da alta do dólar em produtos que a gente compra no comércio. Nos últimos tempos a moeda tem operado acima da casa dos R$ 4,50 e nesta segunda-feira fechou o dia a R$ 4,79.

Conforme o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Tubarão, Rafael Gomes Silvério, os comerciantes já sentem a diminuição nas compras há algum tempo e de longe a alta do dólar é o principal motivo.

“Os lojistas compram produtos relacionados ao dólar, tanto os importados quanto os produzidos no Brasil têm insumos que vêm de fora onde o preço é baseado no valor da moeda americana. Sem contar nos produtos com insumos baseados no petróleo”.

Rafael explica que a situação ainda é confortável para muitos comerciantes, os que têm produtos em estoque; mas quem trabalha sem uma margem disponível pode sentir os impactos antes do que se imagina.

“Não há previsão para a queda do dólar. Os Governos estão lidando com isso neste momento e o que podemos fazer é esperar. De um modo geral a dica é segurar, não aplicar em fundos ou ações variáveis porque estamos incertos”, finaliza.