Janiffer Souza
Braço do Norte


Corpo e mente, uma união que nem todos conseguem manter de forma saudável. “Cuida da sua cabeça, ela vai mandar muito no que irás sentir daqui em diante”. Este foi um dos primeiros conselhos que Ariene Wessler Sombrio, 37 anos, recebeu de um enfermeiro ao entrar no Hospital Santa Teresinha, em Braço do Norte, no último dia 16. “E ele tinha toda a razão. Deus e minha família foram o alicerce para me manter firme”, afirma Ariene.


Ariene deu entrada no hospital com dores de cabeça forte, garganta arranhando e mal-estar. Sinais comuns de quem vai gripar. Mas, por ser asmática, procurou ajuda logo, o que foi fundamental,pois quem tem quadros respiratórios como ela pode ter a situação agravada com o coronavírus.


Embora já sentia a possibilidade detestar positivo para o Covid-19, receber o resultado não foi fácil. “Saber que tenho algo no meu corpo que não posso ver, tocar e nem saber como ficaria é assustador. A todo momento pensei em meus filhos e em minha família, e agradecia Deus por ter procurado ajuda rápido”.


No dia 17, um dia depois do susto de Ariene, seu marido teve os sintomas, procurou ajuda e tiveram que enfrentar o sentimento de receber a notícia de que ele também testou positivo para o coronavírus. Por serem um casal, já esperavam que isso poderia ter acontecido e os sentimentos se misturam ainda mais. Uma mistura de culpa, com medo e tristeza. “Mas não podemos nos apegar a isso, e sim manter a mente saudável e orar muito para isso passar logo”, pontua.


Como o casal foi diagnosticado,Ariene teve alta ontem (21) para que os dois possam continuar o tratamento juntos em casa, mas a separação dos filhos continua. “Isso é a pior parte de tudo! Não poder ver a família e estar longe dos meus pequenos dói demais. Sei que estão bem, falo sempre que possível pelo celular, estão sendo muito bem cuidados e amados por uma família que honrosamente os assumiu nesse tempo,mesmo sabendo que eles também podem estar com o vírus”.


Os pais do casal são idosos, estão no grupo de risco e por isso tiveram que pedir ajuda a outras pessoas que abraçaram a família com muito amor e solidariedade. “Nosso sentimento é de gratidão eterna”.


Ela conta ainda que o hospital está com uma estrutura muito boa, limpo e organizado, que foi muito bem tratada eviu que a todo momento eles estão se preparando. “Tudo que vocês veem na televisão ocorre ali. Fui para o isolamento, o cuidado no contato comigo, tudo igual. O que eles fazem e as ações da prefeitura de Braço do Norte são um exemplo a ser seguido por todos os municípios”, sugere Ariene.


Hoje, com pouca tosse e leve dor de cabeça, ela continua em tratamento domiciliar, mas faz um apelo à população.“Levem a sério, fiquem em casa, empresários, por favor, fechem suas empresas, é uma decisão difícil, mas aqui fizemos isso, tenham em mente que precisam estar saudáveis para quando tudo isso passar. Será difícil para todos, já tem as pessoas que trabalham na saúde, mercados, farmácias que precisam cumprir seu papel. Quem não precisa, fique em casa por eles! Você que está em casa com sua família, se cuide, ore, e agradeça por estar bem. Pessoas assintomáticas podem estar disseminando o vírus, todo cuidado é pouco! Não vamos virar a Itália,vamos fazer diferente, vamos lutar e vencer, será inevitável mortes(infelizmente), mas que sejam poucas. Que não entre em colapso o sistema de saúde para que todos possam ser tratados, levem a sério, fiquem em casa, eu emeu marido estamos sem nossos filhos, mas ficaremos, as pessoas se solidarizam,nossos vizinhos do prédio estão nos ajudando e ajudando idosos que aqui residem, todos conseguem ajuda. Fiquem bem e fiquem com Deus”, finaliza Ariene.


No próximo dia 30 acaba o isolamento do casal. Então, depois de 15 dias, ela poderá voltar a abraçar os filhos. Com certeza, será um novo recomeço para a família após dias de grande tensão e tristeza.