quarta-feira, 24 junho , 2026

Tubarão pode ter 100% de esgoto tratado até 2042

Tubarão

Os formandos de Engenharia Civil da Unisul, Douglas de Bittencourt do Nascimento e Rafael da Silva Gonçalves, propõem um sistema de tratamento de esgoto que pode auxiliar Tubarão a atingir 100% do tratamento de efluentes na cidade. Enquanto as obras executadas pela empresa de saneamento básico no município contemplam a área urbana, que estima em 2042 atingir 95% de tratamento de esgoto, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) dos estudantes foca na área rural, não atendida pelo contrato de concessão.

Como modelo, os acadêmicos avaliaram a possibilidade de implantação de um sistema de tratamento de esgoto no bairro da Madre, em Tubarão. Atualmente, a comunidade não conta com tratamento de efluentes de maneira coletiva, há poucas unidades de tratamento individuais em algumas casas. O local é próximo da futura Estação de Tratamento de Esgoto da Figueira, mas não faz parte do projeto de implantação de tratamento de esgoto em Tubarão.

Os pesquisadores buscaram no projeto utilizar a força da gravidade para escoar o esgoto. Com isso, constaram a necessidade de instalar duas redes coletora de esgoto, uma mais alta para a população da encosta do morro e outra mais baixa para os moradores das proximidades do Rio Seco.

A opção escolhida para tratar o esgoto foi o conjunto de tanque séptico, filtro anaeróbio e clorador. O tanque séptico faz com que o efluente decante a ponto de acumular os sólidos no fundo do tanque e apenas a parte mais líquida seguir para o filtro. Nessa parte, o que restou de impurezas sólidas são filtradas em camadas de brita, deixando seguir apenas o líquido para a última fase. O clorador é onde as últimas impurezas são tratadas e o efluente tratado pode retornar para o meio ambiente sem causar danos.

São necessários dois conjuntos de tratamento para atender a população da localidade, cerca de 220 pessoas, e as duas redes coletoras de esgoto. O total de investimento na instalação do sistema seria em torno de R$ 90,5 mil. De acordo com a orientadora do projeto, professora Madelon Rebelo Peters, a proposta de um sistema como esse é inédita, por propor uma opção de tratamento em menor escala, mas que atende de maneira coletiva. “Pelo porte do projeto é considerado um valor viável, pois não envolve em bombear o esgoto para uma grande estação. E embora o sistema seja mais simplificado, é adequado para pequenas vazões”, acrescenta.

Os benefícios

O projeto dos estudantes pode levar saneamento básico a outras áreas rurais da cidade e da região, evitando a poluição de mananciais de água e do solo. De acordo com a Fundação Nacional de Saúde, cada real gasto com saneamento básico economiza nove reais em saúde. A explicação para essa fórmula de investimento é simples, água e esgoto tratados evitam a propagação de doenças, melhorando a qualidade de vida da população.
Apesar de ser focado em um bairro, o sistema de tratamento proposto pelos estudantes pode ser aplicado em outros lugares com as modificações necessárias. “A centralização do tratamento de esgoto tem menor custo na área urbana, mas, em áreas rurais e com terrenos irregulares, a descentralização é uma solução para evitar os custos com o encaminhamento do esgoto para tratamento em um único lugar”, explica Madelon.

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