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Aos 19 anos, estudante de direito é aprovado em quatro concursos e vira servidor mais jovem do TRT-SC

Natural de Ponte Serrada, Gustavo Deitos frequenta o 7° período de direito em Xanxerê.

Publicado em 16/05/2018 11h52

Aos 19 anos, estudante de direito é aprovado em quatro concursos e vira servidor mais jovem do TRT-SC

O sonho de todo jovem estudante no início da vida acadêmica pode ser resumido a passar no vestibular, iniciar a graduação, concluir o curso e buscar o quanto antes a firmação na carreira profissional. O primeiro emprego estável na área é um dos desafios que mais despertam ansiedade em quem está prestes a se formar. Mas e quando essa conquista vem bem antes?


O jovem Gustavo Deitos, de apenas 19 anos, é personagem real de uma história que foge um pouco a regra. Estudante do sétimo período de direito, o acadêmico resolveu não esperar a conclusão do curso para buscar o primeiro emprego na área. Prestou uma série de concursos e não conseguiu apenas uma, mas quatro aprovações. 


Natural de Ponte Serrada e frequentando a faculdade de direito em Xanxerê, ele foi aprovado em vagas para técnico judiciário e analista judiciário nos Tribunais Regionais do Trabalho de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, além do Tribunal Superior do Trabalho com sede em Brasília. “Eu acredito que o fato de não estar formado em curso de ensino superior é muito mais uma barreira psicológica do que real”, afirma o jovem.


“Minha maior motivação para ser aprovado em concursos públicos jurídicos antes de estar formado em direito foi a constatação de que toda pessoa, inclusive eu, tem a capacidade de buscar a qualquer tempo o conteúdo da matéria pela qual se interessa, pois hoje, do modo como está a tecnologia, é possível encontrar o material que quiser (livros, aulas, resumos) em pouquíssimo tempo. Basta que a pessoa tenha o ânimo de dedicar uma boa parte de seu dia — renunciando diversões em geral — para capacitar-se, visando um objetivo de longo prazo”, diz o acadêmico.

 


Gustavo, que vai completar 20 anos no próximo dia 28 de maio, conseguiu uma lotação temporária na Vara do Trabalho de Xanxerê até o final do primeiro semestre, quando deverá transferir a faculdade para Joaçaba. No município, vai assumir definitivamente o cargo de técnico judiciário na Justiça do Trabalho, tornando-se inclusive o servidor mais jovem do órgão em Santa Catarina. 


A qualificação exigida para a vaga é de nível médio, por isso foi admitido mesmo antes de formado. Já para o cargo de analista judiciário, onde também conseguiu a provação, mas ainda não foi nomeado, o diploma é exigido. “A real expectativa para que essas nomeações ocorram é só para quando eu já estiver formado”, estima o estudante.


 

Aprovado entre milhares

No cargo que assumiu, Gustavo ficou em sétimo lugar ao competir com 11.733 candidatos. Para a vaga de analista judiciário no Tribunal Superior do Trabalho (TST) — maior instância trabalhista brasileira —, alcançou a 39ª colocação em meio a 21.044 candidatos. Já entre os 14.462 candidatos para o cargo de técnico judiciário no TRT da 24ª Região (MS), ficou em 48º lugar, perdendo inclusive 20 posições somente pelo fato de a idade ser critério de desempate. Ele ainda ficou em oitavo lugar na disputa com 7.284 candidatos pelo cargo de analista judiciário também no TRT da 24ª Região (MS). 


As provas dos quatro concursos foram realizadas ao longo de 2017, entre os meses de março e novembro. Já os resultados começaram a chegar em setembro do ano passado. “Eu sempre acreditei que tudo daria certo, porque eu sentia ter bastante conhecimento sobre o conteúdo dos editais dos concursos e conseguia ter grandes aproveitamentos em meus simulados. De qualquer forma, aguardar a publicação dos resultados foi uma experiência de muita ansiedade, pois nada é mais garantido que ver seu nome, definitivamente, na lista de aprovados. Ao ver meu nome nessas listas, eu sentia a alegria de estar sendo recompensado por tanto tempo dedicado aos estudos”.

 


Preparação

E foram horas diárias de preparação às provas. Segundo Gustavo, que diz focar em concursos públicos desde 2015, ainda aos 16 anos, os estudos foram individualizados para a conquista de cada uma das vagas. “Quando fiz as duas provas no TRT-MS, priorizei os estudos para a prova de analista, que cobrava algumas disciplinas a mais e com uma profundidade maior. A média em horas de estudo por dia ficou em torno de sete horas líquidas e produtivas, havendo dias com mais e dias com menos”, conta.


Já para a prova do TRT-SC, o estudante reservou cerca de oito horas diárias para a preparação. “Esta prova sempre foi meu maior objetivo e, consequentemente, tive ainda mais disposição para estudar”, lembra. “No entanto, para a prova do TST eu tive menos tempo para estudar, mas não tive tanto prejuízo, pois eu já possuía quase todo o material necessário que produzi estudando para as outras provas. A média em horas de estudos para o TST ficou em torno de cinco horas e meia”.

 


Feito inédito

Com a oitava colocação no concurso do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região do Mato Grosso do Sul, Gustavo também é o candidato mais jovem da história a conseguir aprovação entre as dez primeiras colocações no cargo de analista judiciário, que exige graduação em direito, considerando todos os tribunais do país.



“Quando fiz a prova de analista do TRT-MS, tinha 18 anos, e consegui a oitava colocação em meio a 7.284 candidatos, quase todos formados em direito e mais velhos. Isso foi motivo de orgulho para mim e para minha família. No entanto, a caminhada foi muito difícil. Só Deus sabe como foi ter na pele a rotina que eu tive para estudar”, recorda. 


E o prazer pelos estudos e novos concursos seguirá fazendo parte da vida de Gustavo, que sonha muito mais alto. “Certamente continuarei estudando, mesmo que com menos tempo, para ter bons desempenhos na universidade e manter um bom nível de conhecimento técnico e teórico para os futuros concursos de juiz do trabalho [...] Por isso, pretendo desde já servir a Justiça do Trabalho com muita atenção e dedicação, conhecendo mais sobre a realidade prática dos conflitos trabalhistas, sobre o funcionamento da Justiça do Trabalho no Brasil e, especialmente, sobre o mundo do trabalho”.


Fonte: Oeste Mais
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