O dia de Nossa Senhora Aparecida é um marco e uma ligação de Carlo Acutis com o Brasil. Devoto de Nossa Senhora, o beato teve no dia 12 de outubro de 2006 o seu “nascimento ao céu”. Além disso, o milagre que permitiu que ele fosse beatificado também foi em um brasileiro, em Mato Grosso do Sul, no mesmo dia em 2013, após um menino de três anos ter tocado em uma relíquia.

Vale lembrar que a comunidade que cuida do Santuário do Despojamento é de brasileiros. Em sua beatificação no último sábado (10), foi denominado também o dia 12 de outubro para celebrar o Padroeiro da Internet.

Depois da morte em 2006, em 5 de abril de 2018, o Papa Francisco o declarou venerável. Em 5 e 6 de abril de 2019, os seus restos mortais foram transladados para o Santuário do Despojamento na Igreja Santa Maria, em Assis, na Itália. No dia de sua beatificação, por encargo de sua santidade o papa Francisco, o Cardeal Agostino Vallini leu a Carta Pontifícia  com a qual o sumo Pontífice inseriu ao número dos beatos o venerável servo de Deus Carlo Acutis.

“Depois de ter tido o parecer da congregação para a causa dos santos, com a nossa autoridade apostólica concedemos que o venerável Carlo Acutis Leigo, que com o entusiasmo da juventude cultivou a amizade com o senhor Jesus colocando a eucaristia e o testemunho da caridade no centro da própria vida, a partir de agora, seja chamado beato e que seja celebrado todos os anos, nos locais de acordo com as regras estabelecidas pelo direito, em 12 de outubro, o dia do seu nascimento ao céu, em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, amém”.

A imagem de Carlo Acutis, jovem, cabelo desalinhado, mochila nas costas e camiseta, chama a atenção para o seu diferencial. Agora, como proposta de beatificação faz com que a juventude se identifique com ele e perceba que o caminho de santidade pode ser experimentado pelo comum e por todos os jovens que queiram seguir pelo caminho de salvação.

Na homilia de sua beatificação, o Cardeal Agostino Vallini fala sobre o reconhecimento de Carlo como modelo e exemplo de vida cristã propondo sobre tudo aos jovens. Ele repassou a sua biografia e citou alguns pontos firmes que humanamente já o caracteriza.

“Era um jovem normal, simples, espontâneo, simpático, basta olhar a sua fotografia. Amava a natureza e os animais, jogava futebol, tinha muitos amigos de sua idade e sentia-se atraído pelos meios modernos de comunicação social. Apaixonado pela internet e como autodidata construía programas como disse papa Francisco, para transmitir o evangelho, para comunicar valores e a beleza. Ele tinha o dom de atrair e era visto como um exemplo”, comenta.

Familiares testemunham que desde criança sentia necessidade da fé e tinha o seu olhar voltado para Jesus. O amor pela eucaristia o sustentava e mantinha viva a sua relação com Deus. Dizia frequentemente: “A eucaristia é a minha estrada para o céu”. Participava diariamente da missa e permanecia longo tempo em oração diante do Santíssimo Sacramento. Carlo dizia: “Se vai direto para o paraíso caso se aproxime da eucaristia todos os dias”.

Jesus para ele era amigo, mestre, salvador, força de sua vida e o propósito de tudo o que fazia. O jovem que morreu com apenas 15 anos estava convencido de que para amar as pessoas e fazer o bem era preciso obter a energia do Senhor. “Com este espírito ele era muito devoto de Nossa Senhora, rezava o rosário todos os dias e consagrou-se várias vezes a Maria para renovar o seu carinho por ela e pedir-lhe proteção. Seu ardente desejo era de atrair a Jesus o maior número de pessoas fazendo-se anunciador do evangelho, antes de tudo, com exemplo de vida. Foi precisamente o testemunho da sua fé que o levou a empreender com sucesso uma obra de evangelização assídua nos ambientes que frequentava”, relata o Cardeal.

Sua capacidade de testemunhar os valores em que acreditava mesmo a custo de enfrentar incompreensões, obstáculos e por vezes, zombaria era extraordinária. Carlo considerava a internet um dom de Deus e um instrumento importante para encontrar as pessoas e difundir os valores cristãos. E seu modo de pensar o fazia dizer que a web não é somente um meio de evasão, mas um modo de diálogo de compartilhamento, conhecimento mútuo e que deve ser usado com responsabilidade.

No intuito de utilizá-la a serviço do evangelho e atingir o maior número de pessoas possíveis, comprometeu-se em organizar a exposição dos principais milagres eucarísticos ocorridos no mundo, que também utilizava para ensinar o catecismo as crianças. “Oração e missão por tanto. Esses são os dois traços distintivos da fé heroica do beato Carlo Acutis. Que no decorrer de sua breve vida levou a confiar-se ao Senhor em todas as circunstâncias, especialmente nos momentos mais difíceis. Com este espírito viveu a doença que enfrentou com serenidade e que o levou a morte”, pontua.

Essa sua certeza de vida levava a ter uma grande caridade para com o próximo, sobretudo com os pobres, idosos, abandonados, os sem teto, pessoas com deficiência e as pessoas que a sociedade marginalizava e escondia. “Carlo sempre foi acolhedor dos necessitados, quando os via pela rua a caminho da escola sempre parava para ouvi-los e os ajudava quando podia. Ele nunca se voltou para si mesmo, mas era capaz de compreender as necessidades e exigências das pessoas em que via a face de cristo”, comenta o arcebispo.

 

Os pais de Carlo Acutis e seus dois irmãos tiveram o privilégio de participar da beatificação

 

Milagre em Mato Grosso do Sul

Matheus Vianna, hoje com 10 anos, é a criança que recebeu a graça por intercessão atribuída a Carlo Acutis. “Se não fosse por ele, não teríamos o Matheus vivo, grande e saudável. Ele foi desenganado aos três anos de idade”, conta a mãe do menino Luciana Lins Vianna.

O menino foi diagnosticado com uma doença rara congênita, chamada pâncreas anular, aos 2 anos de idade. Como nenhuma comida parava no estômago, o menino vomitava o tempo todo e conseguia se alimentar apenas de líquidos, o que o fez ter baixo peso e pouco desenvolvimento para a idade.

“Foi uma luta para ganhar peso, porque ele teria que ganhar peso para fazer a cirurgia. Mas ele só diminuía. Desenvolvia a parte óssea, mas ele era muito pequeno, bem magrinho. Procurei a melhor especialista para ele fazer a cirurgia, mas ela negou. Disse que era impossível porque ele estava abaixo peso e disse que se ele passasse pela cirurgia, não ia suportar.”

Com três anos de idade, Matheus foi curado ao pedir para “parar de vomitar”. A mãe conta que no desespero ao saber que o filho não sobreviveria, lembrou das palavras do pároco da São Sebastião, Marcelo Tenório, que dizia que o Carlo Acutis precisava de um milagre pra ser canonizado e que se precisasse que fosse feito pedido à ele. “E foi o que eu fiz, pedi pro Carlo”, lembra.

O padre, que havia se tornado amigo da família de Carlo na Itália, trouxe para o Brasil uma relíquia do jovem (parte do tecido de uma roupa), que fez parte de celebração da bênção na igreja no dia 12 de outubro.

“Eu pensei que ele pediria um brinquedo, mas no entendimento dele, ele pediu a cura”, disse a mãe. A partir desse dia, Matheus começou a conseguir se alimentar com comidas sólidas, nunca mais vomitou e teve certeza da cura em fevereiro de 2014, quando exames médicos do menino apresentaram que não havia mais nenhum problema de saúde.

 

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