Fonte: Pixabay.com
Fonte: Pixabay.com

Não faz muito tempo desde que o futebol catarinense foi visto como exemplo para o resto dos cenários estaduais do país que buscavam projeção nacional. Mesmo que os times catarinenses não tenham conseguido conquistar os títulos mais importantes da nação, alguns deles chegaram bem perto de tal feito. E isso era presumidamente uma demonstração de que boas gestões, onde investimentos eram feitos conforme os limites das associações, podiam dar bons resultados no campo.
 

Tais tempos ficaram no passado, assim como as impressões de que essas eram de fato boas gestões. Clubes como Criciúma e Joinville caíram de patamar, sendo que o último praticamente despencou da Série A para a D em questão de anos após uma longa batalha para subir ao primeiro nível da pirâmide de ligas nacionais. Ao mesmo tempo, Avaí e Chapecoense encontram dificuldades de sair do “atoleiro” que é a zona de rebaixamento, com a Chape perigando a queda após vários anos conseguindo vencer a batalha contra esse enorme risco.

Mas nada é tão preocupante quanto a situação do Figueirense, que ocupava no dia 16 de setembro a penúltima posição da Série B. O clube que revelou jogadores que hoje frequentam a seleção brasileira em Roberto Firmino e Filipe Luís, hoje se encontra em situação que põem em risco não só a instituição como também as pessoas envolvidas com o time. Problemas que vão de salários atrasados a planos de saúde deixados de ser pagos ocupam as páginas de jornal.

O efeito no campo é evidente, e denotado pelas ofertas de apostas de futebol que colocam o Figueirense como azarão até mesmo em confrontos em casa. Não é por menos: sua última vitória aconteceu em 13 de julho, quando bateram o América Mineiro por 4 a 0. E em seu último confronto em casa, o Figueira perdeu por 2 a 1 para o Sport.

O próprio Criciúma, que também se encontra na Série B, não está em situação muito melhor. O time se encontra na décima-sétima posição do campeonato, com apenas uma vitória nos últimos quatro jogos. E quanto mais avança o campeonato, as chances de sair da zona de rebaixamento são cada vez mais reduzidas.

Em grande parte, as crises dos times passam por crises de gestões que se encontram sem muitas soluções para resolver não só os problemas internos dos times, mas também dos campeonatos que se encontram cada vez mais desiguais. Essa desigualdade acaba afetando a capacidade de uma Chapecoense de executar um trabalho como o que foi feito em sua ascensão para a Série A, contratando jogadores veteranos a preços baixos e aproveitando peças emprestadas de times mais ricos.
 
 

Recentemente, uma “solução” que (res)surgiu para problemas como esse foi a ideia da criação de clubes-empresa. Por meio do congresso, associações desportivas poderiam se tornar empresas, permitindo que empresários ou até mesmo grupos de fãs pudessem ganhar controle das instituições – em substituição ao modelo atual de agremiações onde os deveres de uma empresa não fazem valer para empresas.

É uma ideia interessante, se ela for bem aplicada. Com regulações fortes sobre governança, investimento, limites de endividamento e alavancagem, e outros tipos de vigia, é algo que poderia de fato tirar muitos clubes brasileiros de um buraco de onde não se vê muita saída nos nossos modelos atuais.

Mas isso é apenas parte de um problema que vem do cenário macro do futebol brasileiro, que insiste em trazer para o âmbito nacional os maus hábitos europeus ao permitir que clubes pequenos fiquem menores do que eles já são em finanças. Se a ideia de clubes-empresa não incluir discussões sobre a organização de ligas e de associações de futebol, assim como as divisões de direitos de televisão e de marketing, qualquer prospecto de evolução será evaporado do cenário.