Tubarão

O ingresso é o passaporte, o estádio a casa do coração. Vestir a camisa do time é o ritual sagrado dos torcedores apaixonados. São 90 minutos de adrenalina e emoção para quem adora acompanhar o clube de perto. No futebol amador, sem grandes receitas financeiras, a torcida tem ainda mais responsabilidade em campo.

“É doação de alguém para trabalhar na cozinha sem cobrar, uma faxineira para fazer a limpeza gratuitamente, de gandulas que vão buscar a bola por um refrigerante”, observa Edmar de Oliveira, relembrando como o Sul-América FC reacendeu em 2018. Presidente do clube, ele, alguns sócios e a comunidade colocaram a equipe novamente na atmosfera do Campeonato Municipal de Tubarão após 14 anos.

Durante o período sem jogo, a sede do Verdão do Morrotes, como é apelidado o time, acabou sendo vendida e atualmente está situada no bairro São João. Diante da atitude, boa parte da torcida foi perdendo a identificação, sem esperanças de ver o clube do peito voltar aos gramados. Quando o fundo do poço parecia não acabar, João Vitor Paes, gerente de futebol do Sul-América FC, teve a ideia de convocar jogadores do bairro, além de firmar parceria com Revoredo, equipe já atuante na disputa municipal.

A decisão agradou o coração esverdeado do torcedor, que se manteve presente em cada partida da competição. Unindo a força da comunidade, o esforço dos jogadores e a dedicação da diretoria, o Verdão do Morrotes alcançou o topo máximo do futebol amador tubaronense, levantando a taça do Campeonato Municipal.

A conquista promissora rebobinou os pulmões de torcedores que compartilham a paixão pelo Sul América de gerações para gerações.

“Sempre torci e foi um time que eu vi nascendo, que eu me criei e acompanhei desde criancinha”, lembra Gilsoni Mendonça, conhecido na comunidade como Professor Leleca. Ele ainda conta que toda família ainda continua indo aos jogos e que é uma alegria respirar esse novo ar.

Quando perguntado sobre a premiação do Troféu Salim Mussi, que ocorre amanhã, ele fica extasiado de felicidade por ver toda a história do clube ser reconhecida pelo município.

“Muito contente, foi merecido, mas por tudo o que o Sul-América já representou para a cidade. Temos uma trajetória muito grande”, afirma, emocionado.