Capivari de Baixo

O paratleta Ezequiel de Souza Corrêa, o Zico, de Capivari de Baixo, voltou para casa com grandes conquistas na bagagem. Ele sagrou-se campeão sul-americano no supino paralímpico (levantamento de peso), categoria até 72 quilos, ao levantar 170 quilos; e ficou com o segundo lugar no Mundial Open, ao erguer 166 quilos. A competição aconteceu entre os dias 6 e 9 de dezembro, em Bogotá, capital da Colômbia.

Zico foi ao gabinete do prefeito e saiu direto para o caminhão do Corpo de Bombeiros do município, para percorrer as principais ruas da cidade. A maioria das pessoas ainda não sabia das conquistas e ficou sem entender a razão do caminhão dos Bombeiros circular com a sirene aberta. Mas logo ao ver em faixas laterais a descrição das vitórias, trocou o ar de apreensão pelo de orgulho. É que o feito do paratleta não foi pouca coisa: a medalha de ouro no sul-americano e a de prata no mundial são as primeiras conquistadas por um atleta paralímpico catarinense na categoria.

“Eu nunca imaginei que eu chegaria aonde eu cheguei. Apesar de ser um deficiente físico, de passar por muitas dores, a dor é o alicerce da vitória. É a dor que faz a gente chegar a outro nível”, diz Zico. “Eu sempre digo para ele que, mesmo que se não tivesse ganhado nenhuma medalha, ele já seria campeão do mesmo jeito”, diz a servidora pública Ivonete Feliciano, a Tuia, serviços gerais da prefeitura. Zico convive com ela diariamente, especialmente na hora de preparar suas comidas especiais, na cozinha, pela condição de atleta.

Tuia se refere ao fato de Zico ter superado física e psicologicamente boa parte dos problemas decorrentes da má formação dos membros inferiores, uma deficiência congênita chamada heminelía fibular. Passou por várias cirurgias nos primeiros anos de vida e até em cadeira de rodas esteve, além de ter usado muletas por muito tempo. Na academia, Ezequiel e o treinador Francisco Teles descobriram o talento do atleta para o halterofilismo. Há 14 anos ele começou a treinar para fortalecer a musculatura e diminuir as dores no corpo. Desde então não para de colecionar títulos.

Seleção paralímpica

Além do ineditismo das duas últimas conquistas, Zico foi também o primeiro atleta de Santa Catarina a fazer parte da Seleção Paralímpica Brasileira. Quantas medalhas? Dezenas, mas essas são detalhes, como diria a Ivonete Feliciano. A conquista maior veio bem antes da primeira medalha, que foi vencer os obstáculos da deficiência.

“Eu tenho certeza que muitas conquistas iguais e maiores a estas virão por aí. Temos que manter o foco. Um atleta de alto nível se constrói com tempo. Você está colhendo frutos da tua perseverança e determinação. Parabéns, mais uma vez”, disse o treinador Teles, em mensagem de áudio endereçada a Zico.