Florianópolis

Na noite da última quinta-feira foi realizada a cerimônia de abertura da 9ª Edição dos Jogos Escolares Paradesportivos de Santa Catarina (Parajesc) no auditório da reitoria da Universidade Federal do Estado (UFSC). Durante o evento foi feito o juramento do atleta, proferido pela velocista campeã brasileira escolar dos 100 metros T35 Emanuelli Remualdo e também a apresentação do boi-de-mamão.

Os paratletas de várias regiões do Estado foram agraciados com medalhas de participação. A competição é destinada a estudantes com idade entre 12 a 17 anos com deficiências física, auditiva, intelectual e visual. O evento é uma promoção do Governo de Santa Catarina, por intermédio da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte), em parceria com a Prefeitura de Florianópolis, Secretaria Estadual de Educação e UFSC.

As autoridades presentes ressaltaram a importância dos Parajesc. Para Ivaldo Brandão Vieira, vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que veio exclusivamente para a competição, o evento tem um significado especial. “Santa Catarina sempre foi referência no Brasil nos Paradesportos. É um Estado que revela muitos campeões e fico muito feliz em estar aqui”, declara.

Para a presidente da Fesporte, professora Natália Lúcia Petry, é um evento de grande oportunidade aos participantes. “O esporte nos ensina lições nas vitórias e derrotas, mas nos Parajesc todos são vitoriosos por mostrarem superações”, ressalta. O secretário de Turismo, Cultura e Esporte, Tufi Michreff, disse que o evento congrega pessoas e promove uma troca de experiência e amizade entre os participantes. 

As competições dos Parajesc iniciaram as 8h de sexta-feira, com as disputas do tênis de mesa e a natação. O torneio durou até o último sábado com as disputas de atletismo, basquete de cadeira de rodas, bocha paralímpica, goalball, judô, voleibol sentado, tênis de cadeira de rodas e futebol sete.

Gêmeos disputam final na bocha paraolímpica

Durante os dois dias de competição, muitas histórias foram conhecidas, entre elas as dos gêmeos Lucas e Bruno Cruz. Os irmãos disputaram a final da bocha paraolímpica para obter vaga nas Paraolimpíadas Escolares, que ocorre em São Paulo, de 19 a 24 de novembro. Na final Lucas Cruz venceu por 4 a 3, pela categoria A, de 12 a 14 anos.

Os gêmeos idênticos nasceram com cinco meses de gestação, há 14 anos, em Porto União. Estudam na Escola de Educação Básica Germano Wagenfuhr. Eles iniciaram a prática da bocha paraolímpica aos 11 anos de idade e este já é o terceiro ano que participam dos Parajesc.

Bruno confessa ficar nervoso quando enfrenta o irmão. “A vontade de vencer e o carinho se misturam”, disse ele. Apesar do equilíbrio nas disputas, é Lucas quem costuma vencer. Em 2016, conquistou vaga para o nacional, e em 2017, foi vice-campeão brasileiro.  Lucas e Bruno sonham fazer parte da seleção brasileira de bocha paraolímpica. “Para chegar lá, é importante ter treino de qualidade, concentração e condições para treinar”, completou ele.

O treinador deles, professor Edson César Slonki, o Edinho, confia no possível índice de classificação para o nacional. E, se contar com a experiência, talento e força de vontade do técnico, essa dupla de gêmeos pode ir longe. Edinho construiu uma forte história na bocha paraolímpica. Ele iniciou como atleta de bocha há 22 anos. Foi um dos primeiros do Estado nessa prática esportiva, sendo bicampeão brasileiro de bocha paraolímpica, individual e por equipe, em 1998. No ano seguinte, participou do mundial na Argentina e, em 2002, da Copa América, no Kansas, EUA. Bacharel e Licenciado em Educação Física, ele é o único cadeirante que exerce a atividade de técnico.

Último dia de competição definiu os campeões no Atletismo

A manhã ensolarada na pista da UFSC, serviu para emoldurar o atletismo no seu último dia de competição, sábado. O clima agradável contagiou o garoto Igor Diogo Tamásia, de 16 anos, estudante da Escola Estadual Coronel Pedro Cristiano Feddersen, de Blumenau, que venceu a prova do lançamento de disco com a marca de 20 metros e 50 centímetros.

O estudante tem a perna direita amputada na altura do joelho, por causa de um acidente aos 12 anos. “Eu acompanhava meu pai no sítio, quando a máquina de cortar capim ‘puxou’ minha roupa e em seguida cortou minha perna”, lembra. O acidente, no entanto, não abalou o estudante.

Igor procurou no esporte um novo sentido para a vida. “Há três anos pratico o atletismo depois que meu professor de educação física atendeu a um pedido meu para me colocar em uma modalidade esportiva. Felizmente foi no atletismo”, comemora. Além do disco o blumenauense disputa as provas de arremesso do peso e lançamento de dardo. É a terceira vez que participa dos Parajesc. Em 2017, o atleta também venceu no disco.

Assim como Igor, o estudante Gabriel Ebertz, de 13 anos, da Escola Estadual João XXIII, de Pouso Redondo, aproveitou cada segundo dos Parajesc. Na manhã de sábado, como no ano passado, conquistou a medalha de ouro nos 250 metros para atletas de baixa visão com o tempo de 37segundos e sete décimos. “Gostei do meu tempo. Acho que dá para repetir minha medalha de ouro no Brasileiro como no ano passado”, disse ao final da prova bastante confiante.