Além de ser o Dia do Trabalhador, o dia 1º de maio ficou marcado na história do esporte mundial e, especialmente, no coração de milhares de brasileiros pela morte precoce do piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna.

Já são 25 anos do trágico acidente durante o grande prêmio de Ímola, na Itália. Acidente que o Brasil e o mundo assistiram ao vivo pela TV. O maior ídolo automobilístico de toda uma geração de brasileiros deixou um legado e continua vivo na memória e na história do esporte mundial.

Relembre os momentos marcantes da vida de Ayrton Senna, apelidado de ‘Beco’ quando criança, e de ‘Rei da Chuva’, já adulto e brilhando na Fórmula 1, e que se eternizou como Ayrton Senna do Brasil, um dos maiores esportistas do mundo.

Infância

Ayrton Senna da Silva nasceu em 21 de março de 1960 em São Paulo, na Maternidade de São Paulo. Seu pai era um empresário e entusiasta por competições automobilísticas, recebeu o primeiro incentivo do próprio genitor quando ganhou aos quatro anos de idade, um kart, feito pelo seu pai, o senhor Milton.

O kart foi montado com um motor de cortar grama. A habilidade do menino Ayrton na condução do brinquedo impressionava sua família. Na televisão, Senna gostava de assistir ao desenho japonês Speed Racer, sobre um piloto de corridas. Aos nove anos, o garoto já conduzia jipes pelas estradas precárias dentro das propriedades rurais do pai.

Início da carreira 

Senna começou a competir nas provas de kart aos treze anos. Sua primeira vitória aconteceu durante a prova oficial em julho de 1973, no Kartódromo de Interlagos, que hoje leva o nome de Kartódromo Ayrton Senna.  Foi campeão paulista em duas ocasiões, em 1974 (na categoria júnior) e 1976. Por duas vezes esteve como vice-campeão mundial de kart. No ano de 1977, ganhou o primeiro “Campeonato Sul-Americano de Kart”.  Aos dezoito anos de idade, Senna foi campeão brasileiro da categoria em 1978, 1979 e 1980.

No ano de 1981, o piloto começou a competir na Europa, ganhando o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600 (12 vitórias em 20 corridas), pela equipe de Ralf Firman. Ao final da temporada, Ayrton encontrava-se em um dilema: apesar do sucesso na temporada, não conseguiu novos patrocinadores, razão pela qual não conseguiria se sustentar na Europa.

Sua família não o apoiava integralmente, com receio dos perigos das pistas de corrida. Diante disso Ayrton decidiu abandonar o automobilismo e administrar uma loja de material de construção montada pelo pai no bairro Parque Novo Mundo, na Zona Norte da capital paulista. Porém, em fevereiro de 1982, decidiu voltar a Europa e continuar sua carreira.

No mesmo ano foi campeão europeu e britânico de Fórmula Ford 2000 (22 vitórias em 27 corridas), pela equipe de Dennis Rushen. Ainda em 1982, o brasileiro participou de uma “corrida das celebridades” denominada “Shell Super Sunbeam for Celebrities”, realizada no circuito de Oulton Park, Inglaterra. Senna venceu e fez a melhor volta a bordo de um Talbot. Em 13 novembro, fez sua estreia na Fórmula 3 Britânica em Thruxton, venceu, fez a pole position e a volta mais rápida, com um “Ralt Toyota RT3”.

No início de outubro de 1982, mesmo com a pouca visibilidade que a categoria possuía, Senna já era um nome de destaque do esporte brasileiro, refletindo na sua chegada ao Brasil depois da conquista do título da Formula Ford, contando com a presença maciça de jornalistas e até mesmo de admiradores.

Em dezembro de 1982 Ayrton foi convidado para participar de uma corrida especial de encerramento da temporada da recém-criada categoria de Superkarts. Mesmo sem nunca ter pilotado aquele novo tipo de kart, Ayrton fez a pole marcando 46s43, batendo o recorde do Kartódromo de Interlagos até então. Os outros pilotos – 41 no total – ficaram um segundo ou mais atrás de Senna.

Em 1983 Senna venceu o campeonato inglês de Fórmula 3 (treze vitórias em 21 corridas sendo 9 delas consecutivas), pela equipe de Dick Bennetts, depois de uma disputa com o inglês Martin Brundle, que corria pela equipe de Eddie Jordan.

Fórmula 1

No 7 de abril de 1984, há exatos 35 anos, o futuro tricampeão mundial marcaria o primeiro de seus 614 pontos na Fórmula 1. Ayrton Senna tinha ficado no sexto lugar no GP da África do Sul. Foi um ponto conquistado com muito sacrifício – já que havia problemas de dirigibilidade da Toleman-Hart pela ineficiência dos pneus e pela quebra do bico do carro deixaram Senna bastante debilitado. Resiliente e procurando superar as suas limitações, o piloto repetiu o resultado duas semanas depois, no Grande Prêmio da Bélgica, disputado no circuito de Zolder.

O esportista havia estreado na Fórmula 1 duas semanas antes do GP da África do Sul, mas não completou a corrida devido à quebra do turbo do moto do carro em que ele estava. Na altitude de Kyalami, o piloto esperava pelo menos terminar pela primeira vez uma prova, quem sabe entre os dez primeiros. O modelo TG183B já estava no limite do desenvolvimento, mas o novo TG184 ainda não estava pronto. Ayrton que vivenciava todas as formas de adrenalina corajosamente foi para a pista com o carro que não estava pronto, com aquela base do “não tem tu, vai tu mesmo, essa teimosia rendeu ao piloto 13ª colocação entre 26 pilotos

Senna acumulou uma série de vitórias durante a temporada dele na Fórmula 1 em 1990. Neste ano, no mesmo circuito e com os dois pilotos novamente disputando o título mundial, Senna tirou a pole de Prost. A Ferrari de Prost fez uma largada melhor e pulou à frente da McLaren de Senna, que antes mesmo da largada havia declarado que não permitiria uma ultrapassagem de Prost. Na primeira curva, Senna tocou a roda traseira de sua McLaren na Ferrari de Alain Prost a 270 km/h (170 mph), levando os dois carros para fora da pista. Ao contrário do ano anterior, desta vez o abandono dos pilotos deu a Senna o seu segundo título mundial.

A temporada de 1990 reservou um momento inusitado na história da Fórmula 1. Em setembro daquele ano, durante o GP de Monza, na Itália, Senna fez uma aposta com o chefe de equipe Ron Dennis. O chefe da McLaren não acreditava na vitória de Ayrton dentro da casa da Ferrari. O brasileiro decidiu propor uma aposta com Ron: caso conseguisse a vitória, ele ganharia o carro do triunfo de presente. Além de ter vencido a corrida, Senna fez a pole position, marcou a volta mais rápida da prova e liderou de ponta a ponta, sem dar chances para a Ferrari de Alain Prost, seu rival na disputa pelo título daquela temporada, que terminou na segunda colocação. A McLaren foi recebida pela família do piloto e hoje faz parte do acervo do Instituto Ayrton Senna.

O GP Brasil de 1991 marcou a primeira vitória de Ayrton Senna em sua terra natal pilotando um Fórmula 1. Aliado a isso, o fato da corrida ter possuído um final dramático, com a perda de quase todas as marchas de sua McLaren e o consequente desgaste físico acima do normal, fazendo com que ele não conseguisse sair do carro sozinho, fez dessa corrida uma das mais lembradas da carreira do piloto brasileiro

Logo após a conquista do tricampeonato mundial de Fórmula 1 em 1991, Senna é recebido com honras militares e de estadista na sua chegada na capital paulista. Primeiro, o avião no qual ele aportou em São Paulo foi acompanhado, no trecho final da viagem, por caças da Força Aérea Brasileira. Logo após, recebeu da então prefeita Luiza Erundina, a chave da cidade. Em seguida, desfilou em carro aberto pelas ruas da terra da garoa. A princípio, a carreata seria feita em um caminhão do Corpo de Bombeiros, porém, com a negativa do próprio Ayrton, ele terminou desfilando em um carro conversível particular. Tudo isso acompanhado por dezenas de milhares de pessoas. A enorme quantidade de pessoas e automóveis aglomerados, acabou por prejudicar o trânsito da cidade, além de ocasionar um acidente envolvendo cinco carros.

Dificuldades enfrentadas na carreira

Em novembro de 1984, Senna sofreu com uma paralisia facial, que a princípio médicos constataram ser um derrame. Na verdade, era uma paralisia facial periférica, resultado de uma inflamação do nervo mastoide, responsável pelos comandos do cérebro à musculatura facial. No princípio, Senna tratou a doença com altas doses de cortisona, porém, com medo de efeitos colaterais, experimentou um tratamento alternativo com o médico Haruo Nishimura. No entanto, o tratamento não surtiu efeito, tendo assim que voltar ao tratamento convencional. O problema foi resolvido quando Nuno Cobra, preparador físico, começou a tratar do piloto.

Vida Pessoal

Senna era católico e costumava ler a Bíblia durante os voos que fazia entre São Paulo e Europa. Em Senna, documentário sobre sua carreira de piloto (lançado em 2010), Viviane Senna (irmã de Ayrton) revelou que pouco antes de sua morte, ele abriu a Bíblia em uma página: “Naquela manhã quando ele acordou, pediu a Deus para falar com ele. Abriu a Bíblia e leu um texto que falava que Deus ia dar para ele o maior presente de todos os presentes. Que era Ele mesmo”.

Em relação à política, Ayrton Senna nunca quis se posicionar, nem opinar sobre questões ideológicas específicas evitando revelar votos em eleições. Porém, em 1986, Ayrton apoiou o empresário Antonio Ermírio de Moraes ao governo do estado de São Paulo.

No futebol, Ayrton Senna se declarava torcedor do Corinthians, fato muito celebrado pela torcida do clube por sua própria condição de ídolo nacional.

Relacionamentos

Extramente focado na carreira, Ayrton Senna teve somente cinco namoros sérios. O mais famoso, mas breve, foi com a apresentadora Xuxa Meneghel. Mas o que poucos sabem é que o piloto chegou a se casar com Lílian de Vasconcellos Souza, em fevereiro de 1981. Passaram a lua-de-mel em Chicago, na casa de Fábio Machado, primo de Senna, eles chegaram a viver juntos em uma casa em Londres, na época em que o piloto competia pela Fórmula Ford 1.600. A união durou apenas oito meses.

Após o divórcio com Lílian, Senna assumiu seu caso com Adriane Yamin, um relacionamento polêmico, à época uma adolescente de quinze anos, herdeira da empresa Duchas Corona. O relacionamento foi bastante comentado, pelo fato de a menina ser menor de idade e bem mais jovem que o piloto, que foi o primeiro namorado dela. O relacionamento durou até o final de 1988. Entre 1990 e 1991, Senna teve um relacionamento com a carioca Cristine Ferracciu. Outros casos rápidos foram noticiados com modelos como Patrícia Machado, Vanusa Spindler e Marcella Praddo que engravidou, mas Senna disse que não assumiria o bebê, por desconfiar da paternidade. A jovem entrou na justiça para provar a paternidade da filha, Vitória, mas comprovou-se, através de exame DNA, que Senna não era o pai da criança

Ayrton iniciou um namoro com a hoje atriz e apresentadora Adriane Galisteu após o GP do Brasil de 1993, em festa em uma danceteria de São Paulo. O piloto declarou que finalmente havia encontrado a mulher ideal. Segundo a irmã Viviane, foi a época mais feliz da vida afetiva do irmão. O relacionamento durou até a morte do piloto. Porém exisitia uma polêmica com a família era contra o romance, e seu pai fez de tudo pela separação do casal, acusando Adriane de ser golpista. O assunto gerou muita polêmica na época.

A despedida

No dia 1º de maio de 1994, depois de conquistadas tantas vitórias, ultrapassagens, superado limitações e alcançado o posto de maior representante brasileiro na maior categoria do automobilismo mundial, Ayrton Senna foi parado, por um muro, na curva “Tamburello”, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália. Senna fazia a volta mais rápida quando perdeu controle do carro a 300km/por hora, conseguindo reduzir para 200km na hora da colisão.

O esportista foi levado de helicóptero Hospital Maggiore de Bolonha onde, poucas horas depois, foi declarado morto. O Brasil e mundo lamentaram a morte do piloto que se despediu do mundo fazendo o que mais gostava: correr.

O tema da vitória, tocado nas manhãs de Fórmula 1 nas transmissões da Rede Globo sempre que o brasileiro ganhava uma corrida, canção instrumental composta pelo maestro Eduardo Souto Neto, em 2004, passou a ser a melodia do Ayrton Senna do Brasil e até hoje é usada por muitos ao comemorar uma vitória.

Senna não deixou filhos, mas um legado inenarrável. São muitas as homenagens ao ídolo brasileiro, por meio de monumentos espalhados por todo canto do mundo. Sua irmã Viviane Senna, criou no ano de seu falecimento o Instituto Ayrton Senna, uma organização sem fins lucrativos que trabalha para ampliar as oportunidades de crianças e jovens por meio da educação.