Tubarão

Cem quilômetros. Praticamente a distância entre Tubarão e Sombrio, no Extremo Sul. Mais do que o caminho entre Imbituba e Florianópolis. Uma pessoa comum não percorreria esse espaço sem um veículo. Já o atleta tubaronense Felipe Costa da Silva faz isso correndo.

Especialista em provas longas, o corredor destacou-se em uma competição internacional no último fim de semana. Felipe representou a seleção brasileira no Campeonato Mundial de Ultramaratona, realizado na cidade de Sveti Martin na Muri, na Croácia e foi o destaque do grupo nacional, ao completar o percurso em 7h19min. 

Além de vencer o cansaço físico, a competição exigiu muito da parte psicológica dos atletas. 

“Essa prova foi dividida em 14 voltas. Era uma volta de 2,5 quilômetros e 13 voltas de 7,5. Passamos 14 vezes pela linha de chegada, o que pega na parte psicológica. Usávamos a estrutura da prova e da seleção brasileira para se hidratar, comer, mas sempre com paradas muito rápidas. É um evento competitivo, quanto menos tempo menor”, explica.

Único catarinense no evento, Felipe representou o Brasil ao lado de outros sete homens e nove mulheres. 

“Vestir a camisa do seu país é um peso grande. Você pensa em outros atletas muito bons, mas que não estavam lá e você está representando eles. Isso dá uma motivação a mais no momento que está cansado, quando pensa em desistir. Mas lembra tem que representar a galera lá”, revela.

Felipe, de 29 anos, tem um histórico longo no esporte. No início da adolescência, chegou a representar Tubarão em competições de vôlei, mas não seguiu na modalidade por causa da altura. Depois passou com sucesso pela natação e pelo triatlo, até decidir se dedicar apenas à corrida.

Além de representar o Brasil na Croácia, o corredor teve a oportunidade de competir com alguns dos maiores atletas do mundo na modalidade. 

“Tinha atletas muito experientes, com destaque para as seleções do Japão e da África do Sul, mas foi uma experiência bem legal correr ao lado deles. Eu corri 25 quilômetros ao lado do bicampeão do mundo. Foi uma experiência muito boa. Claro que por pouco tempo, depois cada um vai no seu ritmo”, conta.