Tubarão

Caro leitor ou internauta, você já tentou fechar os olhos e atravessar os cômodos de sua própria casa? Não é difícil imaginar que você poderá esbarrar e tropeçar em diversos locais, mesmo conhecendo o ambiente. Agora pense em uma situação um pouco mais difícil, por exemplo, fechar os olhos e atravessar uma rua ou avenida movimentada como as do bairro Centro, em Tubarão, sem ajuda de ninguém? São situações como estas que o deficiente visual, José Darci Diogo, 64 anos, enfrenta todos os dias.

Há 20 anos, José se envolveu em um acidente automobilístico, onde bateu a cabeça no para-brisa e devido ao ocorrido ele acabou perdendo a visão de forma gradual. No início não foi fácil, mas ao poucos ele enfrentou os obstáculos. “Sempre tive uma vida muito ativa, jogava futebol, corria e praticava muitos esportes até que me vi com algumas limitações. Decidi que superaria os obstáculos e comecei a correr na beira-rio, a fazer esteira em casa e posteriormente participei de algumas competições. A última corrida foi há cerca de dois meses”, lembra.

Ele conta que neste último evento não teve a colaboração de corredor guia. “Antes tinha a ajuda de duas corredoras da cidade, uma delas foi morar fora do país e a outra não pôde participar dos últimos eventos”, explica o idoso que reside só e que prepara a sua refeição sem a colaboração de qualquer pessoa.

José esclarece  que de dezembro a fevereiro realiza a atividade todos os dias, nos outros meses pratica os exercícios físicos de duas a quatro vezes por semana,  ele atualmente é estudante de Direito na Unisul. “Resolvi voltar a estudar para não ficar parado em casa. Temos que nos movimentar sempre que possível”, sugere.

Antes do acidente, José trabalhava como fotógrafo. Sobre os tempos nesta profissão ele traz boas lembranças. Além das boas recordações, o idoso destaca que já passou por algumas situações lamentáveis. “Infelizmente, algumas pessoas querem nos testar. Uma vez estava correndo pela beira-rio, na margem esquerda, e uma pessoa jogou uma pedra no meu pé esquerdo e acabei fraturando. A dor era tanta que parecia que não chegaria em casa nunca. Além disso, já tive outros dissabores, muitos pisam com os pés de propósito na minha bengala ou passam com as suas bicicletas por cima”, reclama.