Carolina Carradore
Tubarão

Tumulto e confusão marcaram a segunda chamada do concurso público para rede de ensino estadual em caráter temporário, no auditório do Centro de Educação Profissional Diomício Freitas (Cedup). Dezenas de professores pediam explicações a respeito da forma de chamada de classificação. Por causa de informações desencontradas, muitos perderam a vaga de preferência, da primeira chamada de classificação, realizada na última quarta-feira. O clima era de desespero entre os docentes, que culpavam a gerência regional de educação pelo problema.

Patrícia Serafim Alves, 23 anos, dedicou meses de estudo e conseguiu alcançar o primeiro lugar na lista de classificação para matemática. No dia da primeira chamada, foi informada que haveria vagas em Sangão e Treze de Maio. “Eu expliquei que era longe para mim. Quem me atendeu sugeriu que eu retornasse na segunda chamada, pois eles passariam a chamar novamente desde o número um da lista”, relata. A decepção de Patrícia ocorreu quando chegou no Cedup e descobriu que a lista continuou onde parou, na 130ª chamada. “Agora, terei que esperar a chamada dos 257 inscritos para ver o que vai sobrar de vaga. É humilhante e uma falta de respeito enorme para quem estudou de verdade”, diz, indignada.

O mesmo ocorreu com Carla Schmitz Ramos, 34. Ela ficou em quarto lugar no concurso e foi classificada para dar aula para séries iniciais. “Quando fui chamada, só tinha vaga para três meses. Então, me disseram que eu poderia esperar para a segunda chamada que poderia conseguir vaga para o ano todo na região de Jaguaruna. Cheguei hoje (ontem) aqui e tive essa surpresa. Isso é um absurdo”, lamenta.

Revolta
Gilson Paes, 41 anos, foi classificado ministrar aulas em séries iniciais. Ele alega que recebeu a mesma informação há uma semana: para retornar na segunda chamada, já que a lista seria reiniciada. Thais da Silva Tomé, 31, também passou pelo mesmo problema. Esperou para ontem e perdeu a vaga. Andrea Fortunato, 34, ficou em 29º na classificação. Ela também se diz lesada. “Na minha vez, me disseram que eu poderia voltar. Agi na boa fé e estou desesperada”, declara.

O outro lado
A diretora de desenvolvimento humano da secretaria de educação do estado, Elizete Mello, admitiu ontem uma falha de informação por parte dos funcionários da gerência regional de educação. Hoje, ela se reunirá com representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte), juntamente com professores que se sentiram lesados no concurso. A diretora irá sugerir aos educadores que esperem novas vagas que surgirão em março, com a aposentadoria de pelo menos 1,8 mil professores no estado.

A ideia é dar preferência a esses concursados na escolha de vaga. Recomeçar do zero todo o processo de chamada é descartada pela diretora, já que, segundo ela, o processo atrasaria o início do ano letivo. “Além disso, professores que passam a trabalhar neste mês ficariam sem pagamento pelo menos duas semanas, já que atrasaria o processo de folha de pagamento”, explica.