Karen Novochadlo
Tubarão

A estagiária de engenharia civil Patricia Cabral Cechinel é um dos 30 funcionários que trabalham na construção do edifício Di Pietra, no bairro Vila Moema, em Tubarão. A obra, iniciada em setembro de 2009, deverá terminar em dezembro deste ano e é um ótimo exemplo para ilustrar o crescimento vertical da cidade.

Há dois anos, lembra o presidente da Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) de Tubarão e Região, Silvio Ghizi, a área em construção no município era de 80 mil metros quadrados por ano. Hoje está em 110 mil metros por ano. “A tendência é a verticalização, que é mais vantajosa para construtoras e clientes”, considera Silvio.

Além disso, pontua o presidente, a construção de prédios auxilia para que a redução do déficit habitacional do município ocorra mais rapidamente. Hoje, Tubarão contabiliza uma falta de 3.035 domicílios, o equivalente a 9,51% dos 31.909 domicílios existes na cidade.

Paralelamente, a finalização das obras no Aeroporto Regional Sul, em Jaguaruna, e a ampliação do porto de Imbituba, posicionam Tubarão como uma das cidades mais importantes no futuro novo corredor do Mercosul. “A verticalização é a melhor solução para acompanhar o crescimento. Na verdade isto será inevitável para qualquer cidade no futuro”, avalia Silvio.

Além disso, completa, hoje o consumidor está muito mais ligado na chamada relação custo-benefício. O preço de um terreno na região dos bairros Aeroporto e Vila Moema, por exemplo, aumentou em 60% nos últimos dois anos.

“Uma casa pode ocupar o mesmo terreno que um prédio de vários andares. A diferença está no custo. Erguer uma casa torna-se, pelo valor da terra, muito mais caro do que construir um edifício”, compara Silvio.

Construções próximas ao Centro são as mais valorizadas
Os consumidores estão cada vez mais exigentes. A casa própria deixar de ser apenas um sonho. As famílias buscam por qualidade, segurança e, se possível, boa localização. Nada de casas escondidas em bairros sem infraestrutura, especialmente viária. Muitos preferem esperar, guardar um pouco mais de dinheiro e poder comprar algo que agrade e supra as necessidades.

O proprietário da imobiliária Vendelar, Fernando Matos, confirma esta tendência. Na sua empresa, a busca por apartamento representa uma média de 70% dos atendimentos. Os motivos: o custo de manutenção é menor do que uma casa, a segurança é maior, assim como a possibilidade de encontrar algo melhor localizado.

“Não adianta construir onde não se tem aparatos sociais, como escolas, supermercados, farmácias. As pessoas querem comodidade. Outra questão importante levada em consideração é o transporte. Tubarão ainda carece de um sistema viário de qualidade, o que faz as pessoas concentrarem-se mais no centro”, aponta Fernando.

Plano diretor é urgente
Uma das funções do Plano Diretor de Tubarão é nortear as construções no município. Por meio desta lei serão definidas as zonas comerciais e residenciais, além do número de pavimentos dos edifícios. Enquanto a nova regra não sai, a antiga passa por modificações para atender a crescente demanda da construção civil. Nas últimas semanas foram aprovadas emendas que regulamentam, por exemplo, o recuo do estacionamento e o impacto de vizinhança para edifícios com mais de 60 apartamentos.

Apesar dos remendos para garantir o crescimento ordenado da cidade, os empresários têm grande insegurança em relação ao novo Plano Diretor. A preocupação, afirma o secretário do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) de Tubarão e Região, Luis Antônio de Oliveira, é que a norma engesse o crescimento imobiliário da cidade. “O novo Plano Diretor será mais completo, mas acreditamos que será preciso fazer algumas adequações para atender as necessidades da cidade e do setor”, antecipa Luis.