Comissão recomenda a criação dois canais para aumentar a vazão do rio.
Comissão recomenda a criação dois canais para aumentar a vazão do rio.

Karen Novochadlo
Tubarão

Sempre que chove forte em Tubarão, a população fica em alerta sobre a possibilidade de ocorrer uma nova enchente, semelhante ou até mais devastadora que a de 1974. Mas existem meios de se prevenir desses fenômenos. Amanhã, uma comissão composta por vereadores apresentará projetos e sugestões para a adoção de um sistema de alerta.

A comissão especial de alerta contra catástrofes climáticas na Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar é composta pelos vereadores Jairo do Passos Cascaes (DEM) e Eraldo Pereira da Silva (PPS), e presidida por Dionísio Bressan Lemos (PP). O estudo dos parlamentares teve a consultoria do climatologista Rafael Marques.

O estudo indica que, além da redragagem do rio, também é necessário fazer dois canais para aumentar a vazão. Isto auxiliaria para evitar alagamentos. Mas, de acordo com a comissão, não evitaria uma cheia de grande dimensão.
Na época da enchente, o escoamento do rio era de 400 metros cúbicos por segundo. Depois, com o trabalho de retificação e redragagem, aumentou para dois mil metros cúbicos por segundo. Contudo, lembra o vereador Dionísio, durante a enchente a vazão chegou a 3,9 mil metros cúbicos por segundo. “Ainda não há obra estruturante ou viabilidade financeira para evitar que isso ocorra novamente”, explica Dionísio.

Por isso, é importante ter um sistema de monitoramento. É vital a instalação de estações para medição pluviométricas, fluviométricas, dentre outras. O trabalho será encaminhado para prefeituras, conselhos de Defesa Civil e outros órgãos.

Tubarão já teve terremotos

Para criar um sistema de alerta, a comissão especial de alerta contra catástrofes climáticas na Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar da câmara fez um levantamento histórico dos eventos climáticos já ocorridos em Tubarão. São enchentes, alagamentos, inundações e até os mais improváveis. “Tubarão já teve um terremoto de 5,5 na escala Richter”, revela Dionísio Bressan Lemos (PP). Ocorreu em 1939.
As últimas enchentes em Tubarão foram em 1834, 1880, 1887, 1897, 1928 e 1974. “Nós concluímos que as enchentes em Tubarão são recorrentes”, explica o vereador Dionísio.

Macrodrenagem

Na próxima semana, será assinada a ordem de serviço para a microdrenagem da margem esquerda, em Tubarão. A obra tem previsão de sete meses e será executada pela empresa Coenco, de Gravatal. A empresa apresentou uma proposta de R$ 3.933.318,69. O projeto prevê a ampliação da rede de drenagem em Tubarão, da BR-101 até a margem do rio. As galerias construídas terão a extensão de 1,49 quilômetro. Também serão implantadas 15 caixas de ligação e passagem d’água.

A microdrenagem faz parte da obra de macrodrenagem em Tubarão, que também engloba a construção de três estações elevatórias. Uma boa notícia é que o edital de licitação para as estações está em fase final. Os recursos foram liberados pela Caixa Econômica Federal (CEF). As duas obras devem ser concluídas no segundo semestre do próximo ano. O investimento beneficiará quase 30% dos habitantes (cerca de 28 mil), nos bairros Humaitá, Dehon, Morrotes, Vila Elisa e Centro.