terça-feira, 3 março , 2026

SC-487: Com destino à praia

Amanda Menger
Jaguaruna

O feriado prolongado de Finados deve ser de muito calor e sol. Tempo perfeito para curtir uma praia. E, com a conclusão da pavimentação asfáltica da estrada do Camacho, a SC-487, chegar à praia será muito mais fácil e rápido. A poeira, a lama e os buracos ficaram definitivamente para trás. Nesta sexta-feira, a obra foi inaugurada pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB).
A pavimentação asfáltica dos 18,5 quilômetros entre o centro de Jaguaruna e o balneário Camacho começou em 2004. O governo investiu mais de R$ 18,6 milhões na obra, mais R$ 3,7 milhões na supervisão e outros R$ 433 mil na desapropriação de terrenos. Ao todo, foram gastos mais de R$ 22,8 milhões.

A rodovia recebeu o nome de Claudino Abel Botega, em homenagem ao ex-vereador e ex-presidente da câmara de Jaguaruna. Ele foi um dos primeiros a organizar abaixoassinados e mobilizar a população para a pavimentação asfáltica.
Para marcar a inauguração, foram espalhadas faixas de agradecimentos aos deputados estadual Genésio Goulart (PMDB) e federal Edinho Bez (PMDB), além do governador. Luiz Henrique chegou de helicóptero e em carreata seguiu para o Camacho. A primeira parada ocorreu no trevo de acesso à Cysy Mineração. No local, foi descerrada uma placa. A comitiva seguiu até a barra do Camacho. O governador caminhou até a ponte e foi saudado pelo público. Logo em seguida, foi descerrada uma outra placa.

“Esta obra é muito importante. É estratégica para o desenvolvimento da região e do turismo”, afirma o governador. O deputado Edinho lembrou os problemas ocorridos no início da obra. “Em seis meses, a empreiteira desistiu. Poderíamos ter feito uma nova licitação e isso iria atrasar mais ainda. Demorou, tivemos problemas, mas hoje a obra está aí. O resultado final é o que importa, ficou muito bom”, comemora o deputado.

Lançamento do edital da SC-100 é adiado

As condicionantes ambientais impostas pelo Instituto Chico Mendes (IcmBio) para liberar a pavimentação asfáltica da SC-100, a Interpraias, entre o Camacho e a balsa, em Laguna, praticamente dobrarão o valor da obra, de R$ 18 milhões para R$ 34 milhões. O resultado: o lançamento do edital da obra, previsto para esta sexta-feira, foi adiado e não há um novo prazo. Sem negociar as condicionantes com o IcmBio, a Fatma não poderá conceder a licença ambiental.

O governador Luiz Henrique da Silveira foi taxativo: “Estas condicionantes são absurdas. É impossível fazer a estrada deste jeito. Os órgãos ambientais não querem que façamos a obra”, dispara o governador. Entre os itens exigidos pelo IcmBio, está o monitoramento dos pássaros, um plano altimétrico de toda a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca (de Florianópolis ao Rincão) e a batimetria de todos os rios e lagos que circundam a rodovia.

Desde agosto, o governo tenta flexibilizar as condicionantes. Chegou-se a cogitar a possibilidade de lançar o edital, escolher a empresa e não entregar a ordem de serviço. Esta semana, ao calcular o impacto deste ‘extra’, viu-se que a obra dobraria de valor. “Vamos a Brasília todas as semanas para negociar com o IcmBio. Acredito que é possível diminuir um pouco as exigências. Não somos contra a natureza. Queremos fazer a obra. Continuaremos a dialogar”, revela o presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), Romualdo França.
O deputado federal Edinho Bez (PMDB) também acompanha o caso. “Estou engajado nesta luta. Na próxima semana, vou novamente ao IcmBio. Tenho certeza que esta obra será feita”, compromete-se Edinho.

Ânimos esquentados

A sexta-feira de sol forte e calor esquentou também os ânimos dos moradores da região da Ilha, em Laguna. Esperançosos de ver o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) lançar o edital para a pavimentação asfáltica da SC-100, entre o Camacho e a balsa, em Laguna, eles levaram faixas reivindicando a obra.
Quando foram informados de que o edital não seria lançado devido aos entraves ambientais, muitos deles xingaram as autoridades políticas presentes. Logo depois de descer do palanque, o governador quase foi agredido por um homem. O radialista Eduardo Ventura, da Santa Catarina, ficou à frente de LHS e o defendeu. Nem o carro oficial escapou. Latas de refrigerante foram jogadas no veículo.

Um outro morador também desentendeu-se com o deputado federal Edinho Bez (PMDB). Os dois chegaram a discutir, mas foram contidos. Mesmo com o adiamento do edital, o funcionário de uma pousada na região da Ilha, Cláudio Camilo Henrique, espera que a comunidade mantenha-se mobilizada. “Espero que haja uma reunião para discutir isso. Não pode ficar assim. No dia 24 de agosto, confirmaram que a obra ia sair. Teremos que sentar e conversar novamente”, apazigua Cláudio.

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