Zahyra Mattar
Tubarão

A safra de arroz no Brasil fechará em aproximadamente 11,3 milhões de toneladas. São cerca de 1,4 milhão a menos do que a do ano passado. Os problemas climáticos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, maiores estados produtivos do país, a quebra de 15% e os baixos preços internacionais fizeram o sinal vermelho acender também na região.

Se no conjunto os números são bons, individualmente alguns produtores já acumulam perdas significativas, na casa dos R$ 100 mil. “No fim do ano passado estimávamos aumento no preço. Na época havia falta de produto no mercado. Mas os países que mais exportam para o Brasil (EUA, Tailândia e Vietnã), conseguem fazer seu arroz entrar no país com preço baixos. O resultado não é nada bom para os produtores nacionais”, lamenta o presidente da Copagro, Dionísio Bressan Lemos.

Para equilibrar a economia no campo e na mesa do consumidor, o preço da saca de 50 quilos de arroz deveria girar em torno de R$ 30,00. Com isso, a bolsa de cinco quilos do produto, nos supermercados, ficaria entre R$ 8,00 a R$ 9,00. Hoje custa R$ 7,00. “Acredito que este preço é completamente possível ao consumidor. Mas enquanto não chegamos a estes números, mais uma crise está instalada no setor produtivo”, lamenta Dionísio.

Clima
O excesso de calor no verão e a chuva no fim da safra culminaram em perda para o produtor da Amurel. Cerca de 3% do produto ainda está submerso. “Individualmente a perda é muito grande. Já articulamos junto aos sindicatos rurais e a superintendência do Banco do Brasil, uma maneira de estender os prazos de pagamento”, antecipa o presidente da Copagro, Dionísio Bressan Lemos.

Atualmente, a Amurel tem 21 mil hectares de plantação de arroz divididos entre Tubarão, Jaguaruna, Treze de Maio, Sangão, Capivari de Baixo, Gravatal, Laguna, Imbituba, Imaruí. Juntos, os 300 rizicultores da região são responsáveis pela produção de três milhões de sacas por safra.

Importação
Uma reunião da frente parlamentar da agricultura na câmara, terminou com a formulação de uma proposta para aumentar a Tarifa Externa Comum (TEC), paga pelos países do Mercosul para a importação do arroz. Hoje a taxa está em 12%. A intenção é elevar para 30%, a fim de que os preços internacionais não deprimam os preços internos. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) prometeu encaminhar o voto aos ministérios econômicos para tentar minimizar a situação dos rizicultores brasileiros.