Tadeu tem se preocupado em difundir a sua história para que mais homens conscientizem-se e busquem fazer os exames. - Foto: Arquivo pessoal/Notisul.
Tadeu tem se preocupado em difundir a sua história para que mais homens conscientizem-se e busquem fazer os exames. - Foto: Arquivo pessoal/Notisul.

Jailson Vieira
Capivari de Baixo

Novembro é o mês de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. A expectativa é que neste ano, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer, 61 mil novos casos de câncer de próstata no Brasil sejam diagnosticados.

O passo inicial para vencer a doença é driblar o preconceito. O homem só vai ao médico quando está morrendo ou quando alguém insiste tanto que não tem jeito… ou vai ou vai, sem outra opção. Essa máxima, porém, não serviu e nem servirá para o publicitário aposentado, de Capivari de Baixo, Tadeu Aguiar, de 59 anos.

“Os sintomas ocorreram pela primeira vez em 2003. Com medicamentos conseguimos controlar. Entretanto, há 4 anos, por meio de um diagnóstico foi confirmado que estava com neoplasia maligna (câncer de próstata). Além da ida ao médico, a realização de exames, a vontade de viver e a colaboração de familiares e amigos, claro, e por Deus hoje estou curado”, comemora.

A campanha Novembro Azul, a qual o Notisul apoia – como também apoiou a campanha do Outubro Rosa – reafirma a necessidade dos exames de rotina para os homens com idade superior a 50 anos. “Meu pai morreu de câncer de próstata, na época por machismo ou resistência. Infelizmente ele sofreu no fundo de uma cama. Outra pessoa da minha família também foi diagnosticada com a doença e não teve medo, buscou tratamento e, há aproximadamente 15 anos, está curado. Alguns têm medo de impotência, mas ninguém será uma ‘Brastemp’ para sempre. O importante é estar ao lado da esposa, filhos, demais familiares e amigos com vida”, enfatiza.

Tadeu afirma que nunca se escondeu e procurou sempre falar com amigos e outros homens sobre o assunto. “Não estamos livres deste mal. Procuro desmistificar e levar ao conhecimento das pessoas o que passei. Na consulta falei para o médico, a notícia pode ser boa ou ruim quero a verdade. Foram uma série de exames e depois a cirurgia. Posso afirmar que minha vida mudou depois disso”, conta.

Ele passa por avaliação médica a cada seis meses, no setor de oncologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão e de três em três meses realiza exames periódicos.

Homens estão mais conscientes ao fato
Em meio a um cenário que de forma inicial se mostra preocupante, existe uma notícia que conforta. Diagnosticar a doença no começo há possibilidade que o tratamento tenha êxito em nove entre dez casos. “Há mais ou menos uma década os homens estão mais cautelosos e se prevenindo mais. Acredito que em pouco tempo, com a evolução das crianças e jovens essa cultura de fugir dos exames médicos seja reduzido de forma drástica”, conta o medito urologista Paulo Sergio Machado. O profissional de medicina que atende nos municípios de Armazém, Braço do Norte e Orleans, esclarece que o medo da população masculina é cultural e segundo ele se programas de prevenção tivessem ocorrido há mais tempo os homens não teriam tanto receio.

“Os programas de saúde infantil e da mulher iniciaram na década de 70, o que contribui para a mulher se cuidar mais por hábito. Por outro lado, o homem quando vai para a primeira e segunda consulta vai com a esposa, na terceira o medo desaparece e já se apresenta só. Tudo isso é cultural”, destaca. Conforme o urologista, o número de homens que estão se prevenindo nos últimos anos aumentou por causa do trabalho de conscientização da rede feminina no combate ao câncer. “Da ocorrência do tumor até que aparece o primeiro sintoma são 12 anos em média. Se não procurar realizar os exames sempre se perde 12 chances de cura. Com um diagnóstico precoce a possibilidade de cura chega a 95%”, observa.

A média nacional de casos por ano conforme o profissional é de 77 novos registros para cada 100 mil habitantes. Só nos três Estados do Sul, o número chega a 95 para cada 100 mil. “Não é que nos três estados há maior incidência, o fato é que a população se cuida mais, há alguns Estados que não existe uma estimativa correta, por isso os números são menores”, pontua.

O que é o câncer de próstata?
Considerado um câncer da terceira idade, o câncer de próstata é o segundo tipo da doença mais comum entre os homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele.  Ainda não se conhece as causas do câncer, porém especialistas consideram alguns fatores que podem favorecer o desenvolvimento desse câncer, como:
• Fatores genéticos. Homens que tenham histórico de câncer de próstata na família têm maior probabilidade de desenvolver a doença;
• Fatores hormonais. Estudos confirmaram que homens que não produzem o hormônio testosterona têm menores chances de desenvolver o câncer de próstata, porém, outros estudos mostraram que a produção de testosterona não causa o câncer, mas em homens que já possuem a doença, o hormônio poderia estimular o crescimento do tumor;
• Alimentação. Especialistas acreditam que uma dieta rica em gordura e pobre em verduras e frutas predispõe ao aparecimento do câncer de próstata;
• Sedentarismo;
• Fatores ambientais. Muitos estudos estão sendo feitos para comprovar se realmente o ambiente pode interferir no desenvolvimento do câncer de próstata. Estudos já confirmaram que populações com baixa incidência de câncer de próstata e que migram para locais com alta incidência, apresentam um aumento da ocorrência de casos.

Sintomas, tratamento e cura
• Os sintomas do câncer de próstata, na maioria das vezes, não são sentidos nos estágios iniciais da doença, o tumor é detectado apenas por meio de exames, como o do toque retal e Antígeno Específico da Próstata (PSA). Há outros casos em que o homem pode apresentar dificuldade para urinar, jato da urina fraco, sensação de que a bexiga não esvaziou e aumento no número de micções. É importante ressaltar que esses sintomas não indicam a presença de um câncer, mas exige uma avalição médica.
• O tratamento do câncer de próstata irá depender do estágio em que está a doença, idade do paciente e níveis do PSA.
• A cura do câncer de próstata dependerá do estágio, extensão do tumor e classificação das células malignas que há no tumor.