Amanda Menger
Tubarão

O casal Silvonei Zanela e Genesi Weizmann Zanela aproveitaram à tarde de sexta-feira para pesquisar os preços dos móveis de cozinha. Eles pretendem renovar o ambiente e acreditam que, com o anúncio da redução a zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os móveis, poderão comprar os produtos com preços melhores do que os vistos na última semana.

“Estamos pesquisando, vendo quais as opções, as formas de pagamento para decidir o que comprar e o que cabe no orçamento”, planeja o operador de máquina Silvonei. Assim como os consumidores, os lojistas também estão animados com a redução do IPI.
Para a gerente-geral de uma grande rede com loja em Tubarão, Sueli Guse , o Natal será muito bom para o comércio com a redução do IPI para os móveis e também para a linha branca. “Estamos no fim de novembro e o movimento é muito grande. As pessoas fazem orçamentos, analisam as opções. A nossa expectativa é de vender muito bem. Tanto que já contratamos cinco funcionários para este período de fim de ano”, afirma Sueli.

A tendência é que os preços sejam revistos quando as lojas renovarem os estoques, já que os atuais foram comprados com a alíquota do IPI em 10%. “Mesmo que demore um pouco para renovar o estoque, as lojas sempre fazem grandes promoções no fim do ano para incentivar os consumidores”, observa a gerente.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Tubarão estima um crescimento de 6% nas vendas em relação ao ano passado. Nesta quarta-feira, o presidente da entidade, Walmor Jung Júnior, se reunirá com representantes da Federação das Lojistas de Santa Catarina (FCDL) para discutir se a expectativa de vendas será elevada. “Estamos cautelosos em relação a redução do IPI. É melhor não criarmos uma expectativa que possa ser frustrada depois”, analisa Walmor.

Perdas ou ganhos na arrecadação de impostos?

Com a redução a zero da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os móveis, anunciada na última semana, o governo federal ampliou o número de setor beneficiados com a renuncia fiscal. A desoneração atinge também os veículos bicombustíveis, os materiais de construção e alguns eletrodomésticos da linha branca (veja mais no quadro ao lado).

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) afirma que estas medidas reduzirão em R$ 518 milhões os recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), já que o IPI é um dos impostos que compõem o fundo. O presidente da entidade, Paulo Ziulkosk, criticou a atitude do governo e disse que “é fácil fazer caridade com o chapéu alheio”.

Por outro lado, há cidades que contam com o incremento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é proporcional ao aumento das vendas. “Acredito que no caso de Tubarão não teremos problemas, porque os valores recebidos do ICMS são maiores do que o IPI. Além disso, a cidade é polo comercial e de produção de móveis, temos uma fábrica que é uma das maiores do estado, então não deveremos ter impactos negativos na arrecadação de impostos”, observa o secretário de indústria e comércio da prefeitura, Estener Soratto Júnior.

Benefícios

• Os veículos com motor 1.0 e bicombustíveis continuarão com alíquota de 3% até 31 de março. O governo desistiu de seguir a escala de recomposição, que previa o retorno da alíquota a 7% em janeiro.

• Os automóveis 2.0 continuarão a pagar 7,5% de IPI também até março, em vez de voltar ao patamar de 13% em janeiro. Com relação aos materiais escolares ainda não há nenhuma definição por parte do governo.

• Os materiais de construção tiveram a redução do IPI prorrogada, de 31 de dezembro para 30 de junho de 2010.

• O governo prorrogou a redução do IPI até 31 de janeiro de 2010, para os produtos da linha branca (geladeira, fogões, máquinas de lavar e tanquinhos) que têm selos de qualidade que garantem o menor consumo de energia.