Jarrão sempre negou as acusações de peculato.
Jarrão sempre negou as acusações de peculato.

Zahyra Mattar
Tubarão

A segunda audiência de instrução e julgamento do caso que envolve o vereador Geraldo Pereira (PMDB), o Jarrão, de Tubarão, e sua ex-assessora, Cynara Guimarães Antunes, está marcada para o dia 4 de junho. Os dois respondem pelo crime de peculato.
O juiz Elleston Canali, da primeira vara criminal da comarca, ouvirá os dois réus às 14 horas. Depois disso, analisará e anunciará a sua decisão. Não existe uma data para isso.

A primeira audiência ocorreu no dia 15 de junho do ano passado, quando foram colhidos os depoimentos do presidente da câmara, João Batista de Andrade, e de Rita Maria Guimarães Pereira.
Ambos são testemunhas comuns da defesa e do Ministério Público, que ofereceu a denúncia contra Jarrão e Cynara. Outras sete foram ouvidas por carta precatória, já que residem em outras cidades ou estados.

Tratam-se do repórter que fez a matéria, Giovani Grizotti (Porto Alegre/RS); Patrícia Guimarães Pereira (Balneário Camboriú); Clésio Mucio Drumond e Clermon Augusto Drumond (ambos de Vespaziano/MG); Raimundo Silva (Itacoatiara/AM); Aludir Alves de Cristo (Joinville); Sebastião Alves Macena (Recife/PE).

A denúncia

Conforme a denúncia feita pelo Ministério Público, o vereador Geraldo pereira (PMDB), o Jarrão, e a ex-servidora Cynara Guimarães Antunes são acusados de peculato, em virtude do suposto uso de verba pública para fins de turismo no nordeste.
Os dois sempre negaram qualquer envolvimento. Inclusive, chegaram a devolver aproximadamente R$ 4.300,82 cada. O valor é referente às diárias utilizadas para a viagem, motivada para a participação de um curso promovido pelo Instituto Nacional Municipalista (INM), entre os dias 1º e 5 de julho do ano passado.

O caso veio à tona em 8 de agosto de 2010, quando o programa Fantástico, da Globo, veiculou a reportagem Farra das Diárias. Jarrão e Cynara foram gravados na praia de Porto de Galinhas no momento que, em tese, deveriam estar no curso.
Os advogados de defesa dos dois, Fábio Zabot Holthausen e Maurício Daniel Monçons Zanotelli, estão confiantes do desfecho do caso. Dizem haver testemunhas de que ambos cumpriram toda a carga horária do curso.

Na única vez que falou abertamente sobre o caso, Jarrão disse que foi induzido a dar as respostas que aparecem na gravação. A assessora nunca quis dar entrevistas, mesmo insistentemente procurada. Na câmara, Jarrão nunca foi punido. Cynara foi exonerada, mas em função de lei do nepotismo. Com o escândalo, descobriu-se que ela é sobrinha do vereador e, portanto, não poderia assessorá-lo.