Professores da rede municipal de Tubarão realizaram uma manifestação há duas semanas para requisitar melhores condições de trabalho e salários. Agora, já se fala em realizar uma greve para a próxima semana.
Professores da rede municipal de Tubarão realizaram uma manifestação há duas semanas para requisitar melhores condições de trabalho e salários. Agora, já se fala em realizar uma greve para a próxima semana.

Karen Novochadlo
Tubarão

Nesta quinta-feira, professores da rede municipal de ensino decidirão se irão ou não entrar em greve. Toda a categoria se reunirá em uma assembleia, às 19 horas, no Praça Shopping. Os servidores públicos estão em estado de greve desde sexta-feira.

“Nós enviamos um comunicado para a prefeitura, de que, se não realizarem uma proposta até quinta, entraremos em greve”, ameaça a secretária-executiva do Sindicato dos Trabalhadores na Área Educacional da Rede Municipal de Tubarão (Sintermut), Laura Isabel Guimarães Oppa. Os professores exigem receber o piso nacional. Hoje, eles recebem um valor de R$ 1.187,00, somados todos os abonos, como auxílio-alimentação. A categoria quer receber este valor no salário.

Uma comissão composta por funcionários da prefeitura e do sindicato já negociava os salários há algumas semanas. Mas as negociações não avançaram. E o Sintermut resolveu abandonar o grupo. De acordo com Laura, nenhum comunicado chegou da prefeitura para agendar uma reunião ou apresentar uma proposta. Hoje, Tubarão conta com 20 escolas municipais e 25 centros de educação infantil.

Já a greve dos professores estaduais continua e entra no sétimo dia. Ontem de manhã, os professores realizaram uma manifestação em frente à secretaria de desenvolvimento regional, em Tubarão. Os professores também reivindicam plano de carreira, pagamento do piso nacional, eleição para diretores.

Mais uma assembleia
Hoje, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) realizará uma nova assembleia em Tubarão, com todos os professores em greve. O propósito do encontro é debater as próximas etapas do movimento e quantificar o número de grevistas. A reunião será no ginásio do Ases, na beira-rio, às 14 horas. “Todos os dias, sentimos que a adesão aumenta. Muitos professores pararam ontem (hoje)”, revela a coordenadora regional do Sinte/SC, Terezinha Botelho Martins.

Sem acordo entre professores e estado

A reunião entre os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) e o secretário de educação do estado Marcos Tebaldi, realizada ontem, terminou sem acordo. Pela proposta, os professores que não recebessem o piso nacional, de R$ 1.187,00, passariam a ganhar. Contudo, a proposta não leva em consideração o plano de carreira dos funcionários. Os servidores com ensino médio ganhariam o mesmo que os com pós-graduação.

O Sinte recusou e solicitou que uma nova reunião fosse marcada para esta quinta-feira. O governo rejeitou e afirmou que não haverá um novo acordo. O novo salário base beneficiaria cerca de 35 mil professores (53%).

Pela proposta apresentada, o professor ganhará no mínimo R$ 1.683,75, (o piso de R$ 1.187,00, somado a abonos. O reajuste representa um aumento de 94,76%, sobre o atual piso (R$ 609,46). Serão beneficiados, em um primeiro momento, 35.210 servidores ativos, inativos e ACTs (53% do quadro de pessoal).

O reajuste pago pelo governo representa um aumento de R$ 14 milhões por mês. Em um comunicado enviado pela secretaria de educação estadual, o governo solicitou que todo os servidores retornassem às salas de aula. Foi encaminhada uma medida provisória à assembleia legislativa de Santa Catarina, quanto ao pagamento do piso salarial dos professores.