Assembleia estadual em Lages mostrou o descontentamento de professores com o governo.
Assembleia estadual em Lages mostrou o descontentamento de professores com o governo.

Karen Novochadlo
Tubarão

Este ano, os professores da rede estadual paralisaram as atividades por 62 dias. Foi a maior greve da categoria já registrada em Santa Catarina. Existem possibilidades de que esta situação se repita no próximo ano.
Na última assembleia estadual realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) de Santa Catarina, em Lages, nesta semana, os professores mostraram-se entristecidos com os resultados apresentados pelo governo do estado. Das promessas assumidas com o Sinte, quase nenhuma foi cumprida.
Em nota divulgada no site, o sindicato acusa o estado de falta de compromisso. “Deixamos claro ao mesmo que esta postura poderá comprometer o inicio do ano letivo de 2012, tendo em vista a insatisfação da categoria (…)”, consta no comunicado.

Um dos tópicos de descontentamento é quanto à comissão criada para refazer o plano de carreira dos professores e apresentar uma nova tabela salarial. Por enquanto, nada foi mostrado ao professores. De acordo com uma das representantes do Sinte em Tubarão, Tânia Fogaça, o governo pediu que uma nova tabela fosse apresentada pelos professores. Mas isso não havia sido combinado. A comissão é composta por um representante da Alesc, o deputado Joares Ponticelli (PP), representantes da secretaria da educação do estado e do sindicato. A expectativa é que até dezembro seja apresentado um plano de carreira.
Outro pedido é a modificar um decreto que regulamenta as faltas no serviço.

Problemas no pagamento dos professores
Os dias de greve foram descontados dos salários dos professores. Com a reposição das aulas, houve a restituição do pagamento. Mas, neste mês, houve erros nos pagamentos e professores de algumas escolas ficaram sem parte do salário. A secretaria de educação admitiu o erro e alegou que será impressa uma folha complementar.

Reposição das aulas
Quando a greve dos professores terminou, a categoria retornou às salas de aula e cada escola determinou como seriam feitas as reposições de aulas. Dias depois, a secretaria de educação do estado determinou como seria o calendário e algumas escolas tiveram o ano letivo esticado até janeiro. Muitos professores reclamaram que isto interferiu na autonomia da escola. A pasta determinou que o fim das aulas seria em uma das três datas, dependendo do número de dias de greve em cada instituição de ensino: 20 e 30 de dezembro e 6 de janeiro.
As matrículas para o próximo ano estão previstas para novembro. As aulas devem iniciar no dia 14 de fevereiro, mas os professores deverão estar nas escolas no dia 8.

Relembre o movimento
A greve dos professores perdeu força com a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 026, na assembleia legislativa. A matéria modificou o salário e o plano de carreira do magistério, que foi achatado. O governo precisava de pelo menos 21 votos favoráveis ao projeto de lei. Dos 36 deputados que votaram, apenas oito foram contra.
A greve iniciou porque os educadores buscam a aplicação do piso nacional (R$ 1.187,87), regulamentado por lei, no plano de carreira.