Zahyra Mattar
Laguna

O cultivo de camarões marinhos em cativeiro na região começa a dar os primeiros sinais significativos de melhora. Após a ruína de 2005, quando o vírus da mancha branca literalmente dizimou a maioria das fazendas de camarão, cinco produtores de Laguna resolveram voltar a postar as fichas na quase extinta atividade.

Esta retomada, ainda que tímida, reconhece o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Camarão (ACCC), Nelson Abraham Netto, é fruto de uma pesquisa iniciada em 2006, com os poucos camarões – cerca de 5% – que resistiram à mancha branca. As larvas que começam a repovoar as fazendas hoje são a quinta geração de filhotes dos sobreviventes de 2005.

Nesta primeira experiência positiva, 2,4 milhões larvas foram distribuídas gratuitamente pela ACCC aos cinco produtores interessados. O recurso para este investimento – R$ 30,8 mil – veio do fundosocial, do governo do estado. O povoamento dos tanques ocorreu entre janeiro e fevereiro deste ano.

A despesca foi feita na última semana. Um total de 15 toneladas de camarões foram produzidas, o que gerou uma cifra de R$ 165 mil. Antes da mancha branca, eram produzidas 4,5 mil toneladas do crustáceo por ano. O giro econômica ficava na casa dos R$ 40 milhões.

Alta diferença no custo da produção atrapalha
Com a queda da produção de camarão em cativeiro, por conta da mancha branca, em 2005, o mercado nordestino invadiu Santa Catarina com os fartos crustáceos. Apesar da distância, os produtores da ‘banda de lá’ conseguem oferecer o produto a um preço invejável. O custo da produção do camarão em Laguna não baixa de R$ 8,00 o quilo, enquanto o nordestino é vendido a R$ 6,50 o quilo.

“O grande problema ainda é a questão de mercado. Arrisco a dizer que talvez a situação seria ainda pior sem a mancha branca. A grande retomada da região nesta atividade somente ocorrerá quando houver a liberação do pós-larvas de camarão Speed Line (SPF), altamente resistente ao vírus. Mas isso é complicado porque o produtor está descapitalizado”, analisa o engenheiro agrônomo da Epagri de Laguna, Joel Gaspar.

Compare
Em 2005
• Santa Catarina possuía aproximadamente 117 fazendas de carcinicultura. Destas, cerca de 90 estavam na região sul: Laguna (a maioria, 66), Imbituba, Garopaba, Jaguaruna e Imaruí.
• Ao todo, 180 produtores criavam camarão em cativeiro em 1,6 mil hectares no estado.
• Juntos, produziam 4,5 mil toneladas do crustáceo por ano e rendiam R$ 40 milhões.

Em 2010
• Não há informação confiável de quantos carcinicultores há em Santa Catarina hoje.
• Na região, são cerca de 20 produtores divididos entre Laguna, Imbituba, Garopaba, Jaguaruna e Imaruí.
• Na primeira safra deste ano (entre janeiro e maio) dez produtores povoaram seus tanques: oito em Laguna, um em Imbituba e outro em Garopaba.
• Não há informações de quanto foi produzido por todos, apenas a respeito dos cinco produtores da Associação Catarinense de Criadores de Camarão. Neste caso, eles obtiveram 15 toneladas de crustáceo e R$ 165 mil de giro econômico.