Tubarão

Conforme o levantamento mais recente do Ministério do Desenvolvimento social (MDS), feito em 2007, há no Brasil 31.992 pessoas com 18 anos ou mais que vivem na rua. Deste total, 72% trabalhavam em coleta de materiais recicláveis ou como flanelinhas. Uma segunda pesquisa, também feita pelo MDS, desta vez entre agosto de 2007 a março do ano passado, aponta que 35,5% desta legião de brasileiros esquecidos vive nestas condições por conta do vício em álcool e/ou drogas.

Ainda, 29,8% não saiu de casa porque quis e sim por falta de opção. São cidadãos que ficaram desempregados e perderam absolutamente tudo, inclusive a casa onde moravam. Outra parcela, 29%, fugiram do seio familiar por desavenças com os pais ou parentes próximos.

Sujos, famintos e avessos inclusive ao contato social, eles começam a migrar para pequenos centros, como Tubarão, onde buscam o mínimo com que estão acostumados para sobreviverem, um dia de cada vez. O fato da cidade ser cortada pela BR-101, também é fator que incide na crescência dos índices. Outro ponto, é que a população tem pena. A maioria cede ao pedido e dá uma moeda.

Para completar o cenário precário registrado na cidade, no que diz respeito à assistência desta pessoas, Tubarão não possui um estudo específico com a população de rua – a prefeitura não tem dados de quantos vivem na cidade, onde ficam, como vivem. Também não um lugar específico para assistir estas pessoas. Para piorar, a própria lei impede que mais seja feito. “Não podemos fazer muita coisa. Muitos nos procuram para pedir passagem de ônibus, comida e roupas. Mas quando oferecemos tratamento contra o álcool, por exemplo, elas fogem. Nos queremos ajudar, mas pela lei, elas também precisam querer receber este auxílio”, explica a secretária de assistência social da prefeitura de Tubarão, Vera Stüpp.

Ainda neste semestre, o executivo enviará para a câmara, um projeto para firmar um novo convênio com o albergue noturno Pousada da Paz. A ideia é expandir o funcionamento do local. “Eles somente abrem durante a noite. Queremos um espaço que funcione também no período em que a secretaria de assistência social não está aberta. Não é o ideal, mas é o viável neste momento”, admite Vera.