Karen Novochadlo
Tubarão

A situação das pontes irregulares no Rio Seco, em Tubarão, e a construção das casas em áreas de preservação ambiental (APP) pautaram uma audiência realizada no Ministério Público, ontem. O objetivo é coletar dados para dimensionar o problema.

É a segunda audiência sobre o assunto realizada pelo promotor Sandro de Araújo. A primeira ocorreu em dezembro do ano passado. Desta vez, foram convocados representantes da prefeitura e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar.
Por enquanto, nenhuma ação foi tomada, até porque é preciso, antes, analisar como está no local e delimitar quais construções estão irregulares. Dados estes que a prefeitura não dispõe.

Também foram abordadas quais seriam as melhores medidas a serem tomadas quanto as pontes irregulares, feitas pelos próprios moradores. Eles aterram trechos do manancial e fixam tábuas em cima. Além de atrapalhar o fluxo do rio, estas passagens transformam-se em represas nos períodos de chuva intensa ou cheia.
Existem aproximadamente 19 pontes nestas condições ao longo do rio. Uma das alternativas expostas foi a construção de passagens regulares. Nesta quinta-feira haverá uma nova reunião, onde a prefeitura e o comitê entregarão dados sobre o Rio Tubarão.

Rio transborda na Madre
Pela quinta vez neste ano, moradores da comunidade da Madre, em Tubarão, ficaram com água nas coxas para voltar para casa. A estrada geral foi invadida pelo Rio Seco ontem, por volta das 7 horas. Até as 19 horas, a pista ainda não estava livre.

Muitos moradores acordaram cedo e levantaram às pressas para retirar as galinhas e animais do terreno. Outros para retirar os carros da garagem. A moradora Andréia Tomé de Souza Goulart, 37 anos, teve que levantar os móveis para que não ficassem encharcados pelas águas. A máquina de lavar foi colocada sobre cadeiras.
“O problema é que estes pontilhões colocados no rio acabam represando a água”, reclama Andréia. Estas pontes são construídas por pessoas da própria localidade que aterram parte do rio. Com um filho doente e acamado, Neide Tomé de Souza sofre para levar o rapaz ao médico, por exemplo.

A casa também ficou cheia de lodo e barro. Por volta das 15 horas, ônibus não passavam pela localidade. O trecho alagado ia do fim do asfalto até a ponte na divisa entre Laguna e Tubarão. Depois que a água baixou um pouco, os carros puderam trafegar.
Contudo, com o movimento formaram-se algumas ondas que entravam nas casas. O trecho chegou a ser parcialmente interditado pela Defesa Civil. Na parte de Laguna, moradores também enfrentaram problemas de alagamento nas ruas.