Zahyra Mattar
Laguna

O dia de ontem não foi fácil nos quartéis de polícia e bombeiros militares de Santa Catarina. Ainda com a intervenção do estado e dos comandos regionais, praças e familiares realizaram, durante todo o dia de ontem, um protesto para cobrar o cumprimento da Lei 254, aprovada em 2003, cujo texto prevê a diminuição da diferença entre os salários nas corporações. No fim da tarde, a justiça concedeu uma liminar pela qual considera ilegal o movimento de policiais e bombeiros militares da Associação de Praças do Estado de Santa Catarina (Aprasc), iniciado em 11 de dezembro.

Conforme decisão do juiz Hélio David Vieira Figueira dos Santos, policiais e familiares não podem dificultar o trabalho da Polícia Militar, sob pena de multa diária de R$ 30 mil à Aprasc. Na liminar solicitada pela Procuradoria Geral do Estado, o juiz aponta ainda que a greve é vedada a policiais militares, de acordo com o artigo 142 da Constituição da República. Conforme a Aprasc, o estado cumpriu apenas metade da lei. ”Já são três anos sem qualquer aumento salarial. Fazemos essa movimentação no sentido de viabilizar o pagamento”, argumenta o sargento Edson Fortuna, um dos coordenadores do movimento dos praças.

O secretário de estado de segurança pública, Ronaldo Benedet, voltou a repetir, ontem, que o governo não tem condições de discutir a questão no momento por causa da crise financeira internacional e dos estragos provocados pelas chuvas, que afetaram a arrecadação em dezembro. “O governo não tem estabilidade na arrecadação para ter condições de discutir hoje. Discutir sob pressão seria irresponsabilidade”, rechaçou. No início da manhã, as esposas dos praças fecharam a entrada de quartéis em Florianópolis, Balneário Camboriú e Laguna, onde trabalham os principais efetivos da Operação Veraneio. Em Laguna, o policiamento nas ruas não chegou a ficar paralisado, mas no quartel os braços permaneceram cruzados a maior parte do tempo.