Zahyra Mattar
Capivari de Baixo

O gasto de R$ 46,912,00 em cursos, pelos vereadores de Capivari de Baixo, ainda rende “pano para a manga”. Ainda que alguns considerem corajosa a postura do presidente do legislativo, Valmiro Miranda da Rosa (PMDB), o Bila, de admitir o que ele considera um investimento, muitos consideram o valor das capacitações altos demais.

A grande contestação está justamente no valor dos cursos. No dia 31 de março, por exemplo, quatro vereadores e o motorista da casa gastaram, juntos, R$ 13,5 mil. Não há informações de que cursos tratam-se ou onde foram feitos. O presidente insiste que dispõe de todos os documentos que comprovam cada gasto. “Estes valores não são em apenas um dia, e sim de cinco, seis dias de capacitação em diversas matérias necessárias”, justifica Bila. Ele não lembra quais são os cursos.

Um vereador em Capivari de Baixo ganha, por mês, R$ 3,9 mil (ou aproximadamente R$ 3,2 mil com descontos dos impostos). O presidente tem vencimento de 50% a mais, ou seja, R$ 5,8 mil (cerca de R$ 5,2 mil com os descontos). Porém, há vereadores que foram em dois cursos, cujo valor total gasto foi de R$ 5,4 mil, quase o dobro do salário do parlamentar.

O presidente da câmara repete a postura adotada segunda-feira: “Não há nada errado nas contas. Todos os comprovantes, inclusive os certificados de cursos, estão à disposição da população”, diz Bila. Quanto ao valor repassado mensalmente pela prefeitura, o chamado duodécimo (o valor é calculado conforme a arrecadação), R$ 175 mil, Bila não considera ser exagero e não vê finalidade em criar uma lei para diminuir o percentual.

“Temos 30 funcionários (cinco são efetivos, o restante contratado. Não há empresas terceirizadas que prestam serviços), gastos com água, luz, telefone. A câmara tem expediente das 7 às 19 horas. Além disso, o que sobra devolvemos à prefeitura no fim de cada ano”, justifica.

População opina sobre os
gastos da câmara de vereadores

Tatiana Dornelles
C. de Baixo

A história dos gastos realizados pela câmara de vereadores de Capivari de Baixo, de quase R$ 47 mil, para cursos de capacitação dos parlamentares, gerou polêmica nos quatro cantos da cidade.

Entre a população capivariense, algumas pessoas sabiam o que havia ocorrido, outras desconheciam o fato. E as opiniões são díspares. Para o barbeiro Itamar Goulart, os valores foram absurdos. “O dinheiro poderia ser usado para outros fins. Entretanto, não é nossa opinião que vai mudar alguma coisa”, acredita.

Para a coordenadora de atendimento Édna Valentin Peixoto, também moradora do município, tudo depende dos cursos que foram realizados. “Se estes cursos foram feitos para beneficiar, de alguma forma, o povo, vale a pena. Porém, se for um curso que não venha ajudar a cidade, deveria ser melhor analisado o gasto. Além disso, a população precisa saber detalhadamente no que gastaram esse dinheiro”, salienta Édna.

Para a balconista Vera Lúcia de Souza Martins, há outras prioridades no momento, a serem analisadas pelos vereadores, que não são cursos de capacitação. “Há várias coisas para fazer pela cidade, por isso, não devem pensar só em cursos. É muito dinheiro. Além disso, a vida e o povo são os que mais ensinam aos vereadores”.