Amanda Menger
Tubarão

A safra da tainha está praticamente no fim. E o resultado foi um dos piores dos últimos anos. A estimativa é que seja pescado pouco mais de um milhão de quilos. No ano passado, a safra foi recorde: 2,2 milhões de quilos. Já a anchova, que começa a ser pescada agora, e segue até novembro, poderá surpreender. No ano passado, foram pescados aproximadamente 800 toneladas em Santa Catarina.
A diferença entre a anchova e a tainha não é apenas em números de quilos pescados, mas também ao defeso.

A anchova, assim como o camarão, tem defeso estabelecido em lei; a tainha, não. E esta é a reivindicação dos pescadores artesanais da Amurel. “As tainhas pescadas este ano são praticamente todas ovadas. Isso significa que, nos próximos anos, a safra poderá ser menor ainda, porque o peixe não se reproduz”, justifica a delegada interina do Sindicato da Pesca (Sindipesca) na Amurel, Sorora Costa Pinto.

A tainha não possui defeso no Brasil e a região poderá ser a primeira a propor um período em que a pesca fica proibida. “Há possibilidade de realizar o defeso da tainha. Há algum tempo, fala-se disso. O defeso pode ser proposto no estado ou na região. Para isso, precisamos das informações dos pescadores e também de estudos técnicos para viabilizar este defeso”, explica a chefe do escritório do Ibama em Imbituba, Maria Elizabeth Rocha.

O defeso do camarão tem início no próximo dia 15 e segue até 15 de novembro. Já o da anchova, é de 1º de novembro a 31 de maio. A delegada interina acredita que a situação da tainha poderia ser pior se não fosse a fiscalização intensa da Polícia Ambiental de Laguna. “O trabalho da polícia tem sido muito bom, é o que garante o mínimo de peixe para os pescadores. Os policiais utilizam uma lancha e monitoram a costa para fazer os barcos industriais respeitarem o mínimo de cinco mil milhas”, argumenta Sorora.