Amanda Menger
Tubarão

Levantamento feito pela Defesa Civil de Tubarão aponta que de 30% a 40% da calha do Rio Tubarão está comprometida com o assoreamento. Entre os motivos que levam a esta situação, está o desmatamento das margens (mata ciliar), a erosão e ainda a falta de dragagem. Desde 1978, não são feitos trabalhos específicos, apenas pontuais pela Cidasc e pelas mineradoras.

O assoreamento diminui a capacidade de escoamento das águas do rio, o que é um fator para a ocorrência de enchentes. Exatamente por isso, uma dragagem foi realizada após a enchente de 1974 (leia mais no texto ao lado). “A dragagem é fundamental para evitar ou reduzir os problemas causados pelas cheias do rio”, ressalta o coordenador da Defesa Civil municipal, Edvan Nunes.

A chuva, de certa forma, também contribui para o assoreamento do rio, pois a correnteza arrasta sedimentos e lixo. E com o volume de precipitação acima da média nos últimos meses, a preocupação com a dragagem do rio volta à discussão. “Um projeto foi enviado para o Ministério da Integração Nacional. A intenção é termos uma draga de grande porte dragando permanentemente o rio”, explica o engenheiro da Defesa Civil do município, Antônio Carlos dos Santos, o Caito.

O projeto está orçado em R$ 12 milhões, 20% do valor de contrapartida do município. “Temos um cálculo de que seria necessário retirar cinco milhões de metros cúbicos de areia, em diversos pontos do rio. Cada metro cúbico está estimado em US$ 10”, revela o engenheiro.
Para que o projeto saia do papel, é necessário força política. “É só com pressão das autoridades e da sociedade que vamos conseguir os recursos necessários. A dragagem é necessária não apenas para Tubarão, mas para toda a região”, observa Edvan.

Grande dragagem foi feita somente em 1978

Com a enchente de 1974, os órgãos públicos realizaram diversos estudos e até alguns projetos. O extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) apresentou, em 1976, o Projeto de Aproveitamento Múltiplos dos Recursos Hídricos e Controle de enchentes. Este projeto envolvia três obras: a dragagem e retificação do Rio Tubarão; a construção de três barragens; e ainda a abertura das barras do Camacho e de Laguna.

“O único trabalho executado foi a dragagem do rio, que levou quatro anos para ficar pronto. Os demais ficaram no papel. A dragagem foi muito importante e aliviou a situação, assim, acharam que já estava resolvido. Faltou vontade e pressão política para pôr em prática as outras obras”, lembra o historiador Amadio Vetoretti, que foi fotógrafo oficial da obra.
O trabalho foi feito por um consórcio formado por quatro empresas – três delas responsáveis pela retirada de areia e retificação das margens e outra pelos projetos de engenharia.

Entre 1978 e 1982, foram retirados 16 milhões de metros cúbicos de areia entre a ponte pênsil (em frente à Unisul) e a foz do Rio Tubarão, na lagoa Santo Antônio dos Anjos, em Laguna, um trecho de aproximadamente 27 quilômetros.
Segundo Amadio, não é possível estimar o valor investido, pois os documentos não ficaram em Tubarão. “Foi tudo levado para Florianópolis. Muitas coisas foram perdidas com a extinção do DNOS no governo do presidente Fernando Collor, na década de 1990”, conta o historiador.

Trabalho pontual foi realizado há 11 anos

Depois de 19 anos, o rio Tubarão passou por uma nova dragagem. Em 1997, a Cidasc extraiu areia em pontos considerado críticos em termos de assoreamento. Foram retirados 155 mil metros cúbicos de areia entre as pontes Manoel Alves dos Santos (Morrotes) e Orlando Francalacci (quartel) e no encontro dos rios Tubarão e Capivari de Baixo.

“Este foi um trabalho pontual, mas é preciso fazer mais. Tem que monitorar o assoreamento do rio, saber quais são os pontos críticos, onde as dragagens devem ser constantes”, avalia o gerente regional da Cidasc, Claudemir dos Santos.
Duas obras previstas pelo projeto do Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) na década de 1970 começaram a ser feitas há poucos anos. Uma delas, a abertura da barra do Camacho, foi concluída há pouco mais de um ano. “Foram retirados 76 mil metros cúbicos de areia. Essa obra é importante porque a barra recebe as águas do rio Congonhas, que, por sua vez, devido à geografia de Tubarão, recebe as águas das chuvas dos bairros Vila Moema, Monte Castelo, Santo Antônio de Pádua, entre outros”, explica Claudemir.

A outra obra é da retificação e prolongamento do molhe sul da barra de Laguna. A obra foi contratada pelo Ministério dos Transportes ainda no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), porém, até hoje não foi concluída. O trabalho é feito por um consórcio formado por três empreiteiras. A remoção das rochas e do banco de areia permitirá o aumento do calado dos barcos e ainda dará maior vazão as águas do rio Tubarão, já que a foz é na lagoa.