Amanda Menger
Tubarão

O clima das eleições da Cooperativa de Eletrificação Rural Anita Garibaldi (Cergal) está quente. E não é para menos, as duas chapas estão definidas e o embate ultrapassa as ‘fronteiras’ dos associados da cooperativa. De um lado do ‘ringue’ estão os atuais gestores, Genésio Goulart e Gelson Bento. Do outro, estão os vereadores João Fernandes e Maurício da Silva.

A campanha foi deflagrada e as duas chapas buscam conquistar os votos. Lideranças políticas do PMDB, PSDB e PP já anunciaram apoio à chapa 2, de João e Maurício. Os dois contam com as ‘bênçãos’ do ex-prefeito de Tubarão, Carlos Stüpp (PSDB), e do atual prefeito, Manoel Bertoncini (PSDB), além do deputado estadual Joares Ponticelli (PP) e dos vereadores do PMDB, Geraldo Pereira, o Jarrão, Evandro Almeida e Ivo Stapazzol, e ainda do secretário de desenvolvimento regional, Jairo Cascaes (DEM).

Entre um pedido de voto e outro, os candidatos revezam-se em entrevistas em emissoras de rádio da cidade. E tanto de um lado quanto de outro, há troca de farpas e até desafios são lançados publicamente. Dívidas, propostas, reclamações, dossiês e traições são as palavras mais proferidas pelos proponentes. Se para muitos observadores, a eleição de outubro foi morna, a da Cergal deve render pano para muitas mangas e terá desdobramentos na política partidária, principalmente no PMDB e no Democratas de Tubarão.

“Genésio manipula as pessoas”, critica Ivo

Ainda durante a campanha eleitoral do ano passado, o nome do vereador Ivo Stapazzol (PMDB), um dos diretores da Cooperativa de Eletrificação Rural Anita Garibaldi (Cergal), era apontado como um dos possíveis candidatos a presidente da entidade. Porém, a participação de Ivo era condicionada ao apoio do atual presidente e deputado estadual Genésio Goulart (PMDB).

“Genésio não cumpriu o que combinou comigo há quatro. Eu seria o candidato de consenso da cooperativa e dos partidos políticos. No dia 31 de dezembro, tinha que me desencompatibilizar da direção da Cergal para concorrer, porém não fiz isso porque senti que Genésio não cumpriria o acordo”, conta.
O vereador tentou demover Genésio da ideia de concorrer. “Pedi a lideranças empresariais que o convencessem, apelei para autoridades políticas do PMDB, como Eduardo Moreira e Edinho Bez, mas ele não desistiu. Eu tinha dito que não bateria chapa contra ele. Como faria isso se trabalhamos juntos há 14 anos?”, questiona.

Segundo Ivo, Genésio não abriu mão para ele, mas ofereceu o cargo a outras pessoas. “Um deles foi o prefeito, Manoel Bertoncini (PSDB). Ele ofereceu ao vereador Maurício da Silva (PMDB) e para os radialistas Arilton Barreiros e Arilton de Oliveira, o Mexicano, além de um empresário do bairro São Martinho”, revela.
Ivo diz que, de um momento para outro, Genésio mudou sua atitude com ele. “Antes, dizia que eu era homem de confiança dele. Depois, em entrevistas, falou que eu não tinha competência para administrar a Cergal. Não levo isso para o lado político, mas Genésio é centralizador, ele manipula as pessoas”, dispara Ivo.

“Minha vida está aberta à população”, afirma João

Após a eleição tumultuada para a presidência do legislativo tubaronense, o vereador João Fernandes (PSDB) está envolvido em outra eleição: a da presidência da Cooperativa de Eletrificação Rural Anita Garibaldi (Cergal). O candidato propõe transparência. “O atual presidente Genésio Goulart centraliza tudo. A diretoria não sabe o que ocorre. Pediremos judicialmente as informações financeiras. Solicitamos por ofício quatro vezes e não conseguimos resposta. Se eleitos, publicaremos um informativo bimestral das finanças”, propõe João.

Ainda sobre transparência, ele diz que a cooperativa tem dívidas a pagar. “Quando Genésio foi presidente da Geracoop, deixou uma dívida de mais de R$ 4 milhões, apurada por uma auditoria. Esse valor será dividido entre as cooperativas que compõem o consórcio e, para a Cergal, a fatia da dívida é de R$ 700 mil. Somos o maior investidor da Geracoop, mas não temos representante e nem moral para participar das reuniões de tanta besteira que Genésio fez lá”, acusa.
Entre as sugestões da chapa 2 está a criação de uma cooperativa de crédito. “Queremos estender este benefício aos cooperados, com empréstimos a juros menores. Contrataremos mais médicos para a clínica de saúde e mudaremos o estatuto, para uma reeleição. Genésio está no cargo há 13 anos, tem que renovar”, alfineta o candidato.

Em entrevista ao colunista do Notisul, Cristiano Carrador, há algumas semanas, Genésio disse que não “deixaria a presidência para um picareta”. João rebate o comentário e ainda lança um desafio a Genésio. “Eu boto o meu CPF, a minha vida pública e privada à disposição dos cooperados. Eu quero que ele faça o mesmo. Estou nesta disputa de peito aberto, não tenho medo de ser investigado”, provoca João.

Genésio diz que não tem
por que mudar a presidência

Há 13 anos à frente da Cooperativa de Eletrificação Rural Anita Garibaldi (Cergal), o deputado estadual Genésio Goulart (PMDB) é novamente candidato ao cargo. Dividindo-se entre a assembleia legislativa e a campanha eleitoral, Genésio garante que será reeleito.
“Fiz tudo o que precisava para a Cergal. É a única cooperativa que tem clínica de saúde, tem postos de atendimento em outras comunidade. Consegui com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a redução do valor da energia. Com a conclusão da hidrelétrica em Santa Rosa de Lima, o desconto poderá chegar a 50% do atual valor. Não tem por que mudar a presidência”, argumenta Genésio.

O presidente rebate as críticas e diz que não há dívidas. “Prestamos contas todos os anos, da Geracoop também. Não há débito nenhum, a diretoria acompanha. Se alguém tiver dúvida, pode pedir para o juiz, para o Ministério Público comparecer na cooperativa e ver se tem algo errado. Não acharão nada”, garante.
Segundo ele, o acordo para disputar a presidência foi rompido pelo vereador e diretor da Cergal, Ivo Stapazzol (PMDB). “Quem não quis ser candidato foi ele. Uma porque ele como funcionário, não podia concorrer e nem votar. Não ofereci para o prefeito e nem para outros vereadores. Convidei Ivo para ser meu vice, ele não quis e fechei com Gelson Bento, que é o atual vice”, relata.

Genésio assegura que trabalha de forma voluntária. “Não recebo salário e nem gasolina para meu carro. O que os vereadores querem com a Cergal? Não tem nada a ver com o partido, é puro interesse pessoal deles”, critica. O presidente lança um desafio aos cooperados. “Pode perguntar aos associados se eles têm alguma reclamação da cooperativa. Não vão encontrar ninguém para fazer queixa. Vou me reeleger”, garante.

Quem pode votar
A eleição ocorre no dia 1º de março na sede da cooperativa, em Tubarão. Podem votar os titulares das faturas de energia elétrica. Atualmente, a cooperativa tem mais de 12 mil sócios, espalhados em comunidades de Tubarão, Jaguaruna, Laguna e Gravatal. Mas, por ser facultativo o voto, são esperados pouco mais de seis mil eleitores.

Pelo estatuto da cooperativa, antes de abrir espaço para votação, é realizada uma assembleia com a prestação de contas do último mandato, que tem duração de quatro anos. A expectativa é que a votação tenha início às 9h30min e termine às 17 horas. Logo em seguida, é feito o escrutínio. O processo deve ser concluído poucas horas depois, já que as cédulas são de papel. Para participar da eleição, os associados deverão levar um documento com foto.