Rafael Andrade
Orleans

Existe uma ampla discussão em Orleans e região sobre o Parque Nacional de São Joaquim. Muitos empresários do ramo turístico reivindicam a melhor exploração do parque e o incentivo à vinda dos turistas. Vários profissionais discutem uma possível alteração do nome do local, o que pode gerar muitas controvérsias.

“Foram repassadas informações sobre o parque e sobre a Janela Furada, especialmente porque temos o planejamento de potencializar o turismo rural em Orleans”, pretende o superintendente da Fundação do Meio Ambiente (Famor), Eduardo Bertoncini. O gerente de turismo da prefeitura, Leomar Brugnara, planeja amplo empenho sobre a questão. “Já temos as coordenadas. Precisamos alavancar o turismo, pois pode se tornar um ótimo gerador de renda para a cidade”, aposta. Ele ainda adianta que, em breve, uma comitiva orleanense visitará o Parque Nacional de São Joaquim para apontar novos rumos.

O analista ambiental do Parque, Michel Omena, resume o incentivo do grupo de Orleans e as futuras ações. “Damos um passo de cada vez e temos um planejamento para melhor receber os turistas, além de continuar preservando esse patrimônio ambiental”, pontua Michel. “Ainda não decidimos que nome adotar. É bom frisar que não tem nada decidido. Uma coisa é certa: não fica em São Joaquim. Boa parte do território do parque está em Orleans. Há outros municípios envolvidos, mas o ideal seria batizar com algo que remeta à região”, engenha o secretário de administração da prefeitura de Orleans, Marcelo Galvane.

Visitação
O parque é aberto à visitação pública e não são cobradas taxas. É exigido o acompanhamento por guias credenciados para fazer trilhas dentro da unidade. Apesar do nome do parque remeter ao município de São Joaquim, o acesso às principais atrações se dá a partir de Bom Jardim da Serra e Urubici.
A distância de Urubici até o Morro da Igreja, por estrada pavimentada, é de 27 quilômetros. Já a partir de Bom Jardim da Serra, a 12 quilômetros do centro, pode-se visitar o Cânion Laranjeiras, na localidade de Santa Bárbara. Porém, além do acesso ser ruim, somente para veículos fora de estrada, o mesmo se dá por meio de área particular e são cobrados ingressos.

Atrações
As atrações mais conhecidas são o cume e uma fenda rochosa, chamada de Janela Furada ou Pedra Furada, localizados no Morro da Igreja, em Orleans. A Janela Furada é muitas vezes confundida com a Serra Furada, uma fenda arenítica de aproximadamente 45 metros de altura e oito de largura, localizada a alguns quilômetros de distância no vizinho Parque Estadual da Serra Furada. Outra atração é o Cânion das Laranjeiras.

Área
O parque tem 49,3 mil hectares (quase 50 mil campos de futebol) e está ligado na porção oeste ao Parque Estadual da Serra Furada.

Relevo
De relevo bastante irregular, com altitude variando entre 300 e 1,8 mil metros, o parque encampa desde paisagens campestres a grandes furnas e encostas recobertas de mata nativa, com desfiladeiros. As maiores altitudes ficam na região nordeste, no Morro da Igreja, com 1.822 metros. Os Campos de Santa Bárbara ficam na parte central do parque e tem altitudes de até 1,6 mil metros. O solo é predominantemente pedregoso.

Geologia
O embasamento do parque é de arenito, resultante da divisão dos continentes e de basalto, rochas vulcânicas que datam do período Hauteriviano, com aproximadamente 133 milhões de anos.

Recursos hídricos
As nascentes dos rios que formam as bacias do Canoas, Tubarão e Pelotas ficam no interior do parque. Além disso, encontram-se importantes áreas de carga e descarga do Aquífero Guarani.

Flora e Fauna
O parque está inserido no bioma da Mata Atlântica e nele, devido à sua grande abrangência, encontram-se quatro tipos de formações vegetais: floresta ombrófila densa, floresta ombrófila mista, campos de altitude e matas nebulares. Duas espécies de aves são endêmicas ao parque.


O secretário de administração da prefeitura de Orleans, Marcelo Galvane,
aponta que a maior parte do parque fica em território orleanense.

Saiba mais
Os parques nacionais têm por objetivo básico a preservação da natureza, pois é admitido somente o uso indireto dos recursos naturais, isto é, aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição, com exceção dos casos previstos na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
O Parque Nacional de São Joaquim é uma unidade de conservação federal gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Foi criado a partir do decreto nº 50.922 de 6 de julho de 1961, assinado pelo então presidente Jânio Quadros. A sede administrativa fica no município de Urubici e abrange outros três municípios catarinenses: Orleans, Grão-Pará e Bom Jardim da Serra.