Professores votam por greve. Em assembleia estadual na tarde de ontem, a categoria recusou a proposta do governo do estado. Foto: Daniel Queiroz/Notícias do Dia/Notisul
Professores votam por greve. Em assembleia estadual na tarde de ontem, a categoria recusou a proposta do governo do estado. Foto: Daniel Queiroz/Notícias do Dia/Notisul

Angelica Brunatto
Tubarão

Segunda-feira! Este é o dia marcado para o início da greve dos professores estaduais. O movimento foi definido ontem em assembleia geral da categoria, em Florianópolis, que reuniu cerca de cinco mil profissionais da educação.
No restante desta semana, os 65,8 mil educadores do estado organizarão o movimento. “As escolas devem realizar reuniões com os pais para explicar a situação”, conta a vice-coordenadora do Sinte, Janete Jane da Silva.

Até sexta-feira, haverá aulas normais nas 1.112 unidades escolares em Santa Catarina. A intenção da categoria é pressionar o governo do estado a apresentar uma nova proposta. “Queremos que eles reabram a negociação e incentivem a educação”, revela a vice-coordenadora.

A greve será deflagrada por tempo indeterminado. Para mostrar a insatisfação da categoria, uma passeata foi realizada até a sede da secretaria estadual de educação. “Mostramos para o secretário Eduardo Deschamps que iniciamos um movimento”, relata Janete. O evento também contou com a presença de diversos estudantes que apoiam os professores. Eles pedem que o governo acate a proposta do Sinte para que não fiquem sem aulas mais uma vez.

Na assembleia de ontem, os professores recusaram a proposta do estado em pagar os 22,22% de reajuste de forma parcelada até dezembro do próximo ano. Os educadores também pediam a descompactação da tabela profissional. A intenção do governo era aumentar a diferença, que hoje é de 2%, para 30% e 75%, conforme a graduação do docente.

Segunda paralisação em um ano
Os professores da rede estadual de ensino iniciaram uma greve em maio do ano passado. A paralisação de 62 dias prejudicou o andamento do calendário escolar. Na época, os professores pediam que o piso fosse pago no estado. O Supremo Tribunal Federal confirmou a validade da lei, que desde a implantação no país, em 2007, não era cumprida em Santa Catarina.

Proposta recusada

• No dia 14 do mês passado, o estado ofereceu o pagamento do reajuste de 22,22%, previsto na lei do piso nacional do magistério, mas apenas para os professores em início de carreira.

• O retroativo a janeiro e fevereiro seria pago em duas parcelas (julho e setembro). Para os educadores com graduação e especialização, a intenção é dividir o pagamento do reajuste em três parcelas: uma este ano e as outras em 2013 e 2014.

• Em assembleia no dia seguinte, a proposta foi integralmente rejeitada por unanimidade. Nesta mesma ocasião, os professores votaram pela paralisação das atividades, a partir da próxima terça-feira.

• Os professores estão em estado de greve desde o fim do movimento deflagrado no ano passado, que durou 62 dias. Foi uma das maiores paralisações já feitas em Santa Catarina nos últimos 20 anos.

O outro lado

Para o secretário estadual de educação, Eduardo Deschamps (foto), a greve não é bem-vinda. Após o anúncio do movimento, ele pretende tomar algumas medidas. Uma delas foi cancelar a viagem a Brasília, hoje, onde buscaria mais recursos para a educação.

Conforme o secretário, o estado negociou o possível com a categoria. “Com os professores fora da sala de aula não existe negociação”, avisa Deschamps. A secretaria estadual vai realizar medidas para que as atividades continuem nas escolas. Os diretores serão orientados para que mantenham as unidades em funcionamento e registrem as faltas dos professores.

“A proposta do governo é a possível neste momento e, portanto, não cabe uma paralisação da categoria que só trará prejuízos para pais e alunos. Poderíamos continuar negociando e focar nossos esforços para conseguir verba federal, mas agora teremos que fazer a gestão da crise”, lamenta o secretário.

Foto: Daniel Queiroz/Notícias do Dia/Notisul