Mulheres se uniram no combate à doença  -  Foto: Divulgação/notisul
Mulheres se uniram no combate à doença - Foto: Divulgação/notisul

Lysiê Santos
TUBARÃO

Todos os anos, ao chegar o mês de outubro nos deparamos com a tradicional campanha conhecida internacionalmente pela conscientização e prevenção do câncer de mama – doença que mais mata mulheres em todo o mundo. As unidades de saúde distribuem folhetos informativos, a grande mídia anuncia inúmeras atividades alusivas à campanha, palestras, exames gratuitos, as pessoas se vestem de rosa, e até usam o famoso ‘lacinho’ rosa – símbolo do movimento.

É sempre a mesma coisa, não é mesmo? Apesar das ações parecerem repetitivas, o câncer de mama continua o mais comum entre as mulheres, depois do de pele não-melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença.

Talvez você já saiba, mas não custa reforçar que ele é relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Mais de 57 mil novos casos foram registrados nos últimos 12 meses, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) com mais de 14.388 mortes, sendo 181 homens e 14.206 mulheres. O mês já está chegando ao fim e com ele se encerra a campanha Outubro Rosa. Contudo, o câncer de mama não escolhe data, nem hora, muito menos gênero, situação financeira ou qualquer outro fator para aparecer. Ele é real, e só quem sentiu na pele as consequências sabe o quão importante e valoroso pode ser a prevenção e o diagnóstico precoce.

Adriana Cabral, de 46 anos, é enfermeira e sempre esteve muito bem informada sobre o assunto. Mesmo atuando na área da saúde e manter uma vida saudável, a enfermeira descobriu, no ano passado, o câncer de mama ao realizar seus exames de rotina. “Por trabalhar na saúde e saber de tudo foi pior ainda. Durante os três primeiros dias depois da notícia ‘perdi o chão’. Chorei muito junto com a minha família. Perdi o sono, o paladar, não via saída”, relembra. Após o choque, Adriana decidiu reagir e encarar a doença. Em dezembro fez a cirurgia para a retirada do carcinoma e um quadrante da mama. No mês passado fez 20 sessões de radioterapia. Depois do tratamento, há poucas semanas a enfermeira retornou ao trabalho e celebra suas conquistas. “Não foi fácil, mas estou muito feliz em poder retornar ao meu emprego depois de tudo. Amo ser enfermeira”, comemora.

Grupo Flores de Aço auxilia mulheres da região

“Sozinhas somos pétala. Unidas somos rosas”. O lema do grupo Flores de Aço, formado por mais de 90 mulheres de Tubarão e região em tratamento contra o câncer, é uma motivação a mais para essas guerreiras que há um ano e meio iniciaram a união de forças. O grupo iniciou com a tubaronense Janaina Pures, que venceu um câncer e reuniu outras mulheres em um grupo de WhatsApp. Do mundo virtual para o real, elas encontram-se periodicamente e promovem campanhas de auxílio às pacientes. Neste sábado, em alusão à campanha, elas farão uma passeata no centro de Tubarão, a partir das 9h, com saída da antiga rodoviária.

Para a operadora de caixa de uma loja de cosméticos de Oficinas, Daniela Cardoso, de 38 anos, o grupo foi fundamental para o enfrentamento da doença. Ela fez o autoexame durante o banho quando sentiu um caroço. Fez a mamografia, e veio a confirmação. “Fiquei bem assustada, a maior dificuldade seria a financeira, mas consegui fazer tudo com a ajuda do médico, e em fevereiro fiz a cirurgia para a retirada do câncer, e 45 dias depois comecei a quimioterapia. Um procedimento difícil, mas fiquei firme. Depois fiz a radioterapia, e encontrei pessoas no caminho que valeram a pena”, conta. Ela conheceu as ‘flores’ e se aproximou do grupo e compartilhou suas vivências durante o tratamento. “O grupo fez parte da minha recuperação. Ver o relato das outras me mostrava que também seria possível comigo”, ressalta. Hoje, Daniela encerrou o tratamento e continua sob acompanhamento médico e vê a vida com outros olhos. “Perdi o cabelo, cílios, sobrancelhas, e isso pra mulher é desconfortável. Mas passou. Meu cabelo voltou a crescer e não me deixei abalar. Peço a todas as mulheres que se previnam!”, alerta.

Tubaronense relata experiência com a mastectomia
Daniela Pulceno de Medeiros, de 40 anos, é farmacêutica em Tubarão. Ela foi diagnosticada com câncer de mama e mutação genética, que a predispõe a outros tipos de câncer, a Síndrome de Li Fraumeni. Ela é a 14ª na família a ser diagnosticada com a doença. “A gente pensa que é blindada, que as coisas acontecerão exatamente conforme o planejado. De repente chega o diagnóstico. Eu sentia um incômodo na mama direita, uma dor grau leve, mas que não passava. Fiz a mamografia e quando li o resultado, já sabia do que se tratava”, conta.

Fazia apenas seis meses que a irmã tinha falecido devido um segundo câncer. Daniela estava ciente que teria que retirar os seios. “A retirada das duas mamas era meu objetivo. Significava vida, cura. Nunca pensei que seria menos mulher por não ter seios”, enfatiza. Ela realizou a mastectomia bilateral em fevereiro de 2016, e não precisou fazer quimioterapia nem radioterapia.

Hoje está em tratamento, com hormonioterapia. Até o momento, não houve possibilidade de reconstrução das mamas. “O câncer me trouxe muitas coisas boas. Tornei-me muito mais fiel à minha vida, aos meus ideais. Hoje sou muito mais feliz, vivo intensamente cada momento. O câncer me tirou da inércia e abriu-me os olhos para a simplicidade da vida!”, reflete.


Daniele, a jovem que venceu o câncer de mama

A moradora de Capivari de Baixo passou por 33 radioterapias, oito quimioterapias, oito cirurgias de 2014 a 2016

Jailson Vieira
Capivari de Baixo

Não importa se temos 20, 50 ou 90 anos, sempre acreditamos que alguém que gostamos muito ou nós mesmos nunca seremos acometidos por uma doença grave, por exemplo, o câncer. Há três anos, nós, do Notisul, recebemos uma sugestão de pauta, a qual uma jovem de 24 anos, à época, tinha sido diagnosticada com câncer de mama, e com a descoberta resolveu fazer uma campanha com mechas de cabelo e criou o grupo ‘Mechas do amor’.

Neste dia, minha colega, a jornalista Letícia Mattos e eu, fomos à casa da jovem e só na residência, em Capivari de Baixo, pude saber que se tratava de outra colega e ex-vizinha, a Daniele Bitencourt, a Dani, hoje com 28 anos. Naquele dia e no decorrer do tratamento conheci outra Dani, ainda mais determinada e confiante que tudo daria certo.

Ontem, após três anos retornei à sua residência e pedi que ela relatasse a sua luta e a vitória diante da doença que mata milhares de pessoas em todo o mundo. “Percebi que estava com um nódulo e, passado algum tempo me submeti a uma cirurgia. Na biopsia, foi constatado que o nódulo era maligno. Logo em seguida comecei o tratamento e a minha primeira quimioterapia foi dia 1º de outro de 2014, e só finalizei no ano passado. Foram oito sessões de quimioterapia e 33 de radioterapia, além de oito cirurgias”, enumera.

Ela contou que foram anos difíceis, porém, de muito aprendizado ao lado da família e amigos. Sobre os cabelos compridos da época, Dani lembrou que não pensou duas vezes em cortá-lo. “Cabelo cresce o meu já está bem comprido. Decidi cortar de uma vez para não doer o vendo cair aos poucos. Minha irmã, comadre, cunhado, meu pai, meus compadres também cortaram e rasparam. Logo, comecei a campanha ‘mechas do amor’, tive o apoio de muitas mulheres que doaram mais de 300 mechas e conseguimos fazer duas perucas”, explica.

Dani afirmou que, além da campanha ter sido algo grandioso, foi uma motivação a mais para continuar na luta. “Algumas pessoas ainda entregam mechas e, às vezes, peço para deixar no hospital. Apesar da campanha foi raro eu utilizar peruca, gostava muito de lenços ou chapéu, e na maioria sai nas ruas careca mesmo. O câncer me deu amadurecimento, tranquilidade, muitas amizades e o entendimento de não dar importância para as coisas pequenas”, enfatiza.

Após a cura, Daniele espera a chegada de Cecília
Já curada, Daniele Bittencourt, a Dani, de 28 anos, que é administradora, tem feito check-up a cada três meses. Em maio, no ultrassom apareceu uma mancha no ovário. Conforme ela, a médica explicou que poderia ser um cisto e que a princípio não deveria se preocupar. Um mês depois, sintomas como enjoos e sono excessivo eram frequentes e ela resolveu fazer o teste de gravidez. Em um primeiro momento foi o de farmácia e no dia seguinte o de sangue e para a sua surpresa ambos deram positivos.

“Com o exame de farmácia não sabia se ficava feliz ou triste, porque o teste poderia ser um câncer de ovário. Dizem que nódulo no ovário dá alterado como uma falsa gravidez. Somente no segundo teste, o de sangue pude comemorar e saber que não era o problema, mas o lado bom da vida!”, avalia.

De lá para cá, ela contou que já passou por todos os sintomas da gravidez, o sono, as dores na lombar, os inúmeros enjoos. Agora a fase é de curtir os meses finais da gestação, a previsão para o nascimento de Cecília é para a primeira quinzena de janeiro.  

Ela conta, que quando teve o diagnóstico de câncer o médico avisa quais os procedimentos o paciente deve passar e que talvez não ocorra a possibilidade de gravidez. “No meu caso, o mais preocupante era não poder engravidar. Sempre tive o sonho de ser mãe. Querendo ou não estava confiante que venceria a doença. E no meu relacionamento comentei com o meu namorado que não sabia se poderia engravidar e ele entendeu. No entanto, fomos surpreendidos com a minha gestação”, destaca.

Daniele lembra que algumas meninas que estão passando pela doença vieram parabenizar e contar que também querem ter um filho. “Sempre falo que tem que acreditar, ter fé. Se a gravidez não vier de forma natural, pode-se adotar. Ser mãe é um sentimento independente de sangue”, finaliza.

Prevenção
Diagnóstico precoceDaniela Sachetti Elias, de 41 anos, descobriu o câncer em 2015 quando seu segundo filho tinha 2 anos. Ela ainda o amamentava quando foi fazer a mamografia que confirmou a presença do nódulo. “Foi muito difícil interromper a amamentação e lidar com a doença. Tive que tirar um quadrante da mama e passar pelas sessões de quimioterapia e radioterapia”, relata. A família sempre a apoiou e juntos superaram as dificuldades. “Quando comecei a perder o cabelo meu marido também raspou o dele e meus filhos participaram desse momento. Foi algo especial”, lembra. Após passar por todas as etapas, Daniela continua fazendo o acompanhamento médico e reforça a importância da prevenção. “Consegui vencer o câncer porque fui diagnosticada no início. Sei que muitas mulheres têm medo de fazer o exame, mas é muito importante e pode salvar sua vida!”, orienta.