A maioria dos padres prefere não falar sobre o assunto e seguir o que é definido pelo Vaticano.
A maioria dos padres prefere não falar sobre o assunto e seguir o que é definido pelo Vaticano.

Zahyra Mattar
Tubarão

Até o ano 1000 d.c., padres e bispos podiam constituir família. Na verdade, existiam sacerdotes casados e solteiros. Até que um belo dia um bispo francês resolveu ordenar apenas os solteiros. Logo, a regra passou a fazer parte dos alicerces do catolicismo no ocidente. Desde então, o celibato tornou-se uma das premissas para os jovens que desejam seguir o chamado de Deus.

Mas existe quem acredite que a reg=ra é ultrapassada e não condiz com a lei máxima da igreja católica, a Bíblia. “No evangelho de São Paulo, ele aconselha (os padres) a não casar, mas não existe nenhum versículo que proíba o matrimônio em toda a Bíblia. Isto tudo nunca foi uma questão divina, como diz o Vaticano. É tudo uma questão monetária mesmo”, opina Vendelino Schlickmann, ex-padre, morador de Imbituba.
Vendelino saiu da igreja há mais de 30 anos pelo mesmo motivo que muitos jovens de hoje resistem a entrar: queria ter filhos, uma esposa, viver o matrimônio.

“A única diferença de um padre casado para um solteiro é que o solteiro tem mais tempo disponível. Mas dizer que ele (o solteiro) serve melhor a Deus do que o casado é errado. O celibato é uma regra imposta pelo Vaticano e acredito que será muito difícil derrubá-la. A última vez em que tentou-se discutir este assunto no Vaticano foi em 1978, no ano em que pedi meu desligamento”, recorda Vendelino, em meio a comparações.

No ano de 1965, representantes do estado católico no Brasil fizeram uma pesquisa sobre o assunto. Foi a última de que se tem conhecimento. De todos os entrevistados, mais de 60% eram contra o celibato. “No oriente, é permitido que padres tenham famílias. Existem os solteiros e os casados. O jovem entra no seminário e pode namorar à vontade. Então, ele se casa e, em seguida, é ordenado. Acho que deveria ser assim aqui no ocidente também”, sugere o ex-padre.

Vendelino, hoje com 73 anos e pai de quatro filhos, iniciou no seminário aos 15 anos. Ordenou-se padre e largou a batina em 1978, aos 27 anos. “Casei aos 39 anos e nunca fui tão feliz na vida como agora. Meus filhos são maravilhosos. Mas saí da igreja numa boa. Tenho grandes amigos que são padres até hoje”, emociona-se.