Tatiana Dornelles
Tubarão

Com as chuvas que não cessam, os comentários por Tubarão são referentes ao nível do rio. Depois da enchente de 1974, a população tem receio de muita chuva… E com razão! Na época, foram inúmeros desabrigados e dezenas de mortos.
Nesta sexta-feira, o Corpo de Bombeiros de Tubarão recebeu inúmeras ligações: alagamentos, pessoas ilhadas e estradas intransitáveis. Em um dia, foram atendidas pelos bombeiros cerca de 15 solicitações de ajuda por causa em casos de ruas e residências alagadas. Os bairros com maior número de ocorrências foram São Martinho, São João e Humaitá.

No bairro São João, na rua Jayme Aguiar de Souza, o Corpo de Bombeiros foi acionado para retirar um idoso de dentro de sua casa, que estava repleta de água. Felizmente, não houve ocorrências mais graves ou com vítimas. Pequenos acidentes ocorreram por causa da chuva.

A Defesa Civil de Tubarão também atendeu algumas ocorrências durante todo o dia. Uma delas foi no bairro Bom Pastor, onde uma pedra rolou. Não houve feridos e o problema já foi solucionado, não colocando em risco os moradores do local. Em Oficinas, um muro também ameaçava cair e foi contido com lonas e pedras.
Na estrada geral Ageu da Silva Medeiros, no bairro Campestre, a secretaria de segurança e trânsito da prefeitura de Tubarão interditou, nesta sexta-feira, o trecho que inicia próximo à Associação da prefeitura e vai até a ponte do Corredor, no Barranco Quebrado. No bairro Praia Redonda, o pontilhão que liga a comunidade ao bairro Madre também está interditado. Neste ponto, o rio Seco transbordou e cobriu a ponte de madeira.

Previsão é de chuva intensa até domingo

Zahyra Mattar
Tubarão

No boletim meteorológico disponibilizado pelo setor de clima e previsão do tempo da Epagri/Ciram às 18 horas desta sexta-feira, o alerta era para a continuidade da chuva até domingo. Em conjunto com a Defesa Civil, às 18h30min, outro alerta foi emitido: desta vez, para que as autoridades municipais, especialmente as do litoral sul catarinense, fiquem atentas ao aumento do nível dos rios e do mar. Além disso, conforme a Epagri-Ciram, a previsão era de chuva intensa pelas próximas dez horas, principalmente na região do planalto sul catarinense, nas cabeceiras do rio Tubarão.

Não foi emitido alerta de enchente para a região, mas a intensidade da chuva, preocupa a defesa civil, que monitora, a cada meia hora, o nível do rio. Ontem, o comportamento do nível da água era estável, mesmo com a chuva nas cabeceiras. Às 9 horas desta sexta-feira, a água estava três metros e meio acima do normal. Às 12 horas, o nível era de três metros e 30 centímetros e às 16 horas de dois metros e 90 centímetros.

À noite, aproximadamente às 19 horas, a situação voltou a preocupar. O rio Tubarão já contabilizava nível superior aos três metros e meio devido às chuvas na região de Urubici e Lauro Müller. Para haver transbordo, o nível de água precisa ser superior a quatro metros. Neste ponto, alguns alagamentos já são registrados e há enchente nas áreas mais baixas e próximas ao rio. Entre quatro metros e meio e cinco metros, a situação complica-se.

A água que chega dos rios Santa Luzia e Laranjeiras, na região de Lauro Müller, é o grande perigo. A água leva cerca de três horas e meia para chegar até a ponte Manoel Alves dos Santos (do Morrotes), mas é suficiente para contabilizar estragos. O vento, quando sul e leste, também são perigosos para Tubarão, porque represam a água e provocam alagamentos. Nesta sexta-feira, a situação da cidade não passou de calamitosa para caótica justamente porque não tinha vento.

Média do mês é batida em um dia em Tubarão

Amanda Menger
Tubarão

Esta sexta-feira entrará para a história de Tubarão. E por uma estatística impressionante. Em 18 horas (entre as 0 e 18 horas), choveu 91 milímetros. A média histórica para o mês de novembro é de 94 milímetros. No acumulado do mês, já choveu 228 milímetros, ou seja, 2,42 vezes o previsto.

Os dados foram medidos pelo engenheiro químico Rafael Marques, que possui uma estação meteorológica em sua residência, no bairro Vila Moema, em Tubarão. “Esta sexta-feira foi o dia de novembro mais chuvoso desde 1940. Um outro ano atípico foi 1986. Em novembro daquele ano, choveu 232 milímetros durante o mês, e com certeza este ano irá superar, porque ainda temos cerca de dez dias até fechar o mês e a previsão é de mais chuva”, afirma Rafael. A pesquisa de mestrado do engenheiro químico trata da precipitação pluviométrica na bacia do Rio Tubarão.

A chuva não deu trégua em outros municípios. Segundo dados coletados pelas estações meteorológicas da Epagri entre as 8 horas de quinta-feira e 8 horas de sexta-feira, choveu 47,6 milímetros em Urubici, 21,4 milímetros em Laguna e 28,9 milímetros em Pedras Grandes. Dados da gerência regional de infra-estrutura apontam que, entre 1º de agosto e esta sexta-feira (112 dias), foram 44 dias de chuva, com um acúmulo pluviométrico de mais de 500 milímetros de água.

E a previsão do tempo é de mais chuva. A intensidade deve ser maior no litoral, isso porque há uma combinação de fatores. “Há um sistema de alta pressão em cima do oceano que empurra a umidade para o continente, além disso, há um sistema de baixa pressão em cima do continente que atrai esta umidade. Por isso esta chuva intensa”, explica Rafael.