Amanda Menger
Tubarão

O prazo para que a dona de casa Ivânia Camargo encontrasse um novo local para abrigar mais de 80 cães encerrou nesta sexta-feira. O limite de 30 dias foi fixado pela vigilância sanitária do município. Inicialmente, a justificativa era de que os fiscais da vigilância estavam cumprindo uma determinação do Ministério Público. Porém, as coisas não ocorreram exatamente assim.
Há alguns meses, alguns cães cuidados por Ivânia morreram envenenados com chumbinho. Ela registrou um boletim de ocorrência contra algumas pessoas e elas, por sua vez, também registraram um boletim contra Ivânia. O caso, um termo circunstanciado, foi parar na justiça. Na audiência, realizada em junho, foi arquivado. Porém, a recomendação do Ministério Público era que a vigilância sanitária fizesse o acompanhamento do caso.

“Passou um bom tempo sem ninguém aparecer aqui. Quem veio foi o pessoal do departamento de meio ambiente. Todas as recomendações passadas por eles foram seguidas. Há um mês, outros cães foram envenenados. Fiquei uma tarde inteira fora e acumulou sujeira. Na manhã seguinte, os vizinhos reclamaram e a vigilância sanitária veio e já trouxe o documento de autuação todo escrito”, conta Ivânia.
Em contato com o chefe da vigilância sanitária, Elias Gonçalves, ele confirmou que a promotoria fez a recomendação para que “acompanhássemos o caso, fizéssemos inspeções e aplicássemos as normas”. Segundo ele, a decisão de conceder 30 dias de prazo para que a dona de casa encontrasse um outro lugar para os cães partiu mesmo da vigilância. “Nós constatamos que a permanência dos animais põe em risco a saúde pública”, afirma.

A dona de casa contesta. “Eles nem sequer inspecionaram. Nem me deram também tempo e nem a possibilidade de apresentar algum tipo de atestado de veterinário, para comprovar que os cães são bem tratados, não estão doentes e nem causam problema aos vizinhos”, reclama.

Fiscais esperam decisão do MP
O prazo de 30 dias concedido pela vigilância sanitária à dona de casa Ivânia Camargo para que ela procurasse um novo local para os mais de 80 cães expirou nesta sexta-feira. Contudo, a vigilância não esteve em sua residência. “Fiquei esperando, mas eles não vieram. Se tivessem vindo, não saberia o que fazer. Não tenho para onde levá-los. E até onde sei, a prefeitura, a vigilância não têm para onde levá-los também. Eu iria com os cães para a rua”, afirma Ivânia.

A vigilância sanitária, a secretaria de agricultura da prefeitura e o departamento de meio ambiente elaboraram um relatório a respeito do canil da dona de casa. “Protocolamos este relatório no Ministério Público e não recebemos ainda uma resposta da promotora. Vamos aguardar até segunda-feira, quando nos reuniremos para tomar alguma decisão”, revela Elias Gonçalves, chefe da vigilância sanitária do município. É bem provável que esta resposta do MP demore. Isso porque a titular da promotoria, Walkíria Danielski, está de férias até o dia 3 de novembro. Procurada pelo Notisul, ela preferiu não se pronunciar a respeito do caso, por não ter como conferir a documentação.

Autor da lei vai cobrar em plenário
A reivindicação de um canil municipal em Tubarão é antiga. Em 2005, foi dado o primeiro passo. A câmara de vereadores aprovou um projeto, porém, foi vetado pelo prefeito Carlos Stüpp (PSDB) e a matéria voltou ao legislativo. Com um novo texto e diversas alterações, a proposta (48/2006) foi novamente aprovada pelos vereadores e sancionada. Porém, até o momento, não foi efetivada.

O autor da lei, José Luiz Tancredo (PP) disse que cobrará providências no plenário.
“A sociedade tem que se mobilizar e cobrar. Vou novamente fazer um pronunciamento no plenário da câmara. A matéria passou duas vezes pela câmara e, pelo segundo ano seguinte, há dinheiro reservado no orçamento para isso e vou incluir na proposta orçamentária do próximo ano”, adianta.

Com relação aos valores destinados, Tancredo não soube precisar o montante. “Mas isso também é irrelevante, precisa constar no orçamento e estava. Se precisasse de mais recursos, era só suplementar”, explica. A lei determina a castração, o recolhimento e a identificação dos animais de rua e também de propriedade de pessoas de baixa renda. Os animais – cães e gatos – ficariam no canil pelo tempo necessário para a recuperação após a cirurgia de castração.

Ivânia está a procura de um sítio para alugar
O amor aos animais tem tornado a vida da dona de casa Ivânia Camargo um verdadeiro pesadelo. Ao menos nos últimos 30 dias, por conta do prazo que ela recebeu da vigilância sanitária para que encontrasse um novo local para os mais de 80 cães que ela cuida.
“Eu estou desesperada. Não quero me desfazer dos meus animaizinhos. Só quero encontrar um lugar mais afastado, um sítio, algo assim, para poder me mudar e cuidar dos bichinhos”, pede a dona de casa.
Desde que foi morar no bairro São Martinho, há quase um ano, 18 cães foram literalmente jogados em seu pátio.

“As pessoas vêm e deixam os animais no pátio. Tenho cães de todas as raças e alguns, inclusive, têm deficiência porque foram maltratados antes de virem para cá. Um deles é cego, teve o olho furado”, lamenta.
Ao conversar com a reportagem do Notisul, Ivânia fez um apelo. “Não quero nada da prefeitura. Gostaria de encontrar um lugar para ficar. Se alguém tiver um sítio ou casa mais afastada, sem vizinhos e pudesse alugar ficaria contente. A situação estaria resolvida”, garante.