Zahyra Mattar
Tubarão

Por mais que tenha havido esforço mundial das autoridades de saúde em tentar conter o vírus H1N1, transmissor da influenza A – erroneamente chamada de gripe suína -, uma pandemia evidentemente era inevitável. Praticamente idêntica à influenza humana, a disseminação da nova gripe em solo brasileiro começa a preocupar.
O período é comumente conhecido como o de maior ocorrência da gripe “normal”, o que coloca as autoridades em alerta máximo, especialmente porque os sintomas e a evolução da doença, quando comparada à nova gripe, são idênticos. “Esta época do ano é sempre um tempo de resfriados. Como temos um novo vírus em circulação, tudo fica muito confuso. Ainda que tenham sintomas iguais, o que vai diferenciar se é a humana ou a tipo A é a origem”, explica a coordenadora regional de imunização da 20ª gerência de saúde em Tubarão, Ingrid Laura Bitencourt.

Por exemplo: um cidadão que retornou de países como EUA, México e Argentina, e apresenta sintomas gripais, deve ficar atento. “A maior dificuldade no momento é justamente identificar. Hoje (ontem), chegou a meu conhecimento um caso de uma pessoa que voltou dos EUA, tem sintomas de gripe, mas não quer procurar o sistema de saúde porque acha que vai ficar internada. Quem retorna de viagens no exterior ou vai visitar alguém que chegou de fora deve ficar atento. Precisamos desta notificação justamente para barrar uma epidemia generalizada na região”, indica a profissional de saúde.

Na Amurel, nenhum caso foi notificado desde o começo da epidemia. Houve apenas uma comunicação, feita pelo serviço público de saúde pública de Santa Rosa de Lima. Um adolescente de 16 anos apresentou fortes sintomas de gripe, mas a suspeita foi descartada no mesmo dia, porque o rapaz não tinha viajado ao exterior e também não teve contato direto com alguém contaminado. Os caso do sul, são todos registrados em Criciúma.

Região está preparada
para qualquer ocorrência

No sul da Santa Catarina, dois hospitais foram assinalados como de referência regional para atender pessoas com a nova gripe. São o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, e o Hospital Regional de Araranguá. As duas instituições estão abastecidas com medicação e material para preservar a saúde dos profissionais (jaleco, touca, luvas e máscara descartáveis).

Nas unidades do Samu, as equipes também estão equipadas e capacitadas para o transporte de pacientes. São os únicos autorizados para isso. “Temos um plano de atuação muito bem definido. Quando alguém suspeito chega aos sistema de saúde, imediatamente a vigilância epidemiológica do município é comunicada. Depois, eles nos informam (à gerência de saúde), então, nós acionamos a unidade de resposta rápida da secretaria estadual de saúde”, detalha a coordenadora regional de imunização da 20ª Gerência de Saúde em Tubarão, Ingrid Laura Bitencourt.

O medicamento contra a nova gripe já foi distribuído para toda a rede pública de saúde da Amurel. Assim que o caso suspeito é confirmado, a medicação é usada. Na maioria das vezes, não é necessária internação. O paciente é acompanhado em casa por profissionais de saúde. Todo o tratamento é gratuito. “Não há motivo para pânico. Dicas como evitar viagens, nestas férias, para países onde o problema é acentuado, como EUA, Argentina, Chile e México, por exemplo, são válidas. Mas o importante é as pessoas acompanharem as notícias e buscarem o serviço de saúde se desconfiarem de algo. Precisamos das notificações para agir e garantir a saúde da população”, pede Ingrid.

Conforme os últimos dados da secretaria estadual de saúde (ontem, às 20h30min), o estado tem 20 casos suspeitos, 36 confirmados e outros 54 foram descartados. No Brasil, são 218 casos suspeitos, 334 confirmados e outros 656 estão descartados.