Zahyra Mattar
Tubarão

É possível que mais de mil tubaronenses já tenham tido a nova gripe e não saibam disso. As estimativas numéricas quanto à disseminação do vírus A (H1N1) não são animadoras. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), caso não haja uma vacina, 0,4% da população do planeta morrerá em decorrência da doença.
Este percentual, na Amurel, significa a morte de mais de 300 pessoas. A região tem aproximadamente 350 mil habitantes. Outras 87,5 mil deverão ter a doença. Para Tubarão, se considerada a estimativa da OMS, 23,7 mil poderão ter a nova gripe. Destes, 100 podem morrer.

Ontem, dos 717 casos notificados em Santa Catarina, mais de 110 são de Tubarão. Ou seja: Tubarão tem 15% do total registrado no estado. Há um mês, a média de registro por semana era de dez casos. Agora, são pelo menos 40. A estimativa é que esta média suba para 80 na próxima semana. No comparativo com o mesmo período do ano passado, o número de atendimentos por conta de problemas respiratórios em Tubarão é três vezes maior neste ano.

Hoje, a diretora-geral da secretaria estadual de saúde, Carmen Zanotto, e o diretor da Vigilância Epidemiológica do Estado, Luiz Antônio Silva, virão em caráter de emergência a Tubarão, para avaliar estas estimativas. A situação da cidade é considerada uma das mais preocupantes do estado. A curva de contágio é alta e segue crescente. Somente, ontem, por exemplo, 23 novos casos foram registrados.

Aulas na rede municipal de ensino
e cirurgias eletivas são suspensas

A prefeitura de Tubarão anunciou, ontem à noite, as medidas que adotará pelos próximos dez dias. O intuito é quebrar a janela epidemiológica de transmissão do vírus e evitar o surgimento de novos casos, especialmente da maneira crescente como é verificado. As medidas foram embasadas no levantamento epidemiológico feito pelo secretário de saúde da prefeitura, Roger Augusto Vieira e Silva, e o médico infectologista Rogério Sobroza de Mello.

A conclusão do estudo é que Tubarão ainda não atingiu o pico epidêmico, ou seja, é esperado um grande número de casos suspeitos. Entre as medidas adotadas, está a suspensão, por dez dias, das aulas na rede municipal de ensino. Por este mesmo período, as consultas e cirurgias eletivas também serão transferidas. A prefeitura sugeriu ao estado estas mesmas medidas, assim como à Unisul e escolas particulares. Porém, caberá cada um deles decidir.
Também foi sugerida a suspensão dos jogos de futebol da Divisão Especial e reprogramação de festas, formaturas e outros eventos que aglomerem grande número de pessoas.

Após estes dez dias, a prefeitura avaliará novamente a situação epidêmica no município. Caso a curva de contaminação tenha caído como previsto, as aulas e os atendimentos nos postos retornaram ao normal. Do contrário, o prazo de suspensão poderá ser prorrogados.

Medidas protetivas

1 – Suspensão das atividades das escolas e faculdades por dez dias;
2 – Sugerir a suspensão de eventos com grande aglomeração de pessoas por dez dias;
3 – Abertura de três unidades de atendimento (clínica de referência do município: Becker, Humaitá e Caic) para triagem de pacientes suspeitos durante os finais de semana entre 8 horas e as 18 horas.
4 – Suspensão do atendimento de consultas eletivas nas unidades de saúde da família por dez dias, liberando o atendimento por livre demanda dos casos de urgência e emergência neste período;

5 – Priorização do atendimento nos postos de saúde para pacientes suspeitos;
6 – Sugerir aos hospitais e clínicas a suspensão de cirurgias eletivas, principalmente as com necessidade de pós-operatório em UTI;
7 – Reforço das equipes de epidemiologia com aumento de um colaborador no núcleo hospitalar e aumento da carga horária no núcleo municipal;
8 – Elaboração de protocolo municipal de atendimento aos casos;
9 – Funcionárias de prefeitura de Tubarão grávidas, com comprovação, serão afastadas por dez dias.