Zahyra Mattar
Tubarão

Inicia hoje, em Tubarão, um estudo epidemiológico sobre a difusão da influenza A na cidade. A medida foi tomada às 21 horas de ontem, após uma reunião, no Hospital Socimed, entre o prefeito Manoel Bertoncini (PSDB), o secretário de saúde, o médico Roger Augusto Vieira e Silva, e o médico infectologista Rogério Sobroza de Mello. O secretário e Rogério foram incumbidos da tarefa. O estudo deverá estender-se até o domingo.

Porém, amanhã, no fim do dia, Roger espera divulgar o primeiro boletim epidemiológico do município. “A avaliação detalhada é necessária para saber quais as medidas preventivas devemos adotar neste momento. Capacitamos todos os profissionais da saúde e da educação. Mas é pouco. Queremos diminuir a transmissão do vírus na cidade”, indica o secretário.

A quantidade de tubaronenses que já precisaram efetuar o exame que confirma ou descarta a ocorrência do A (H1N1), desde maio, subiu para 73 ontem. E é justamente movido por estes números considerados altos para o município que medidas protetivas mais acentuadas poderão ser tomadas ainda nesta semana.

“A disseminação do vírus, em Tubarão, ocorreu de forma rápida. Em poucas semanas, registramos muitos casos com a suspeita da nova influenza. A situação é atípica e preocupante”, discorre Roger. Entre as medidas cogitadas, está o fechamento das escolas da rede municipal de educação e a montagem de um hospital de campanha, como o feito em Criciúma. “Como temos boa cobertura do programa Estratégia Saúde da Família (ESF), isto não foi necessário. Mas não descartamos a ideia”, confirma o secretário de saúde.

Quem puder, deve evitar ir ao posto de saúde

Ainda que o município disponha de estoque de material e medicação para atender a demanda, o secretário de saúde da prefeitura de Tubarão, o médico Roger Augusto Vieira e Silva, apela para que as pessoas sem sintomas gripais evitem utilizar o sistema de saúde, seja o público, seja o particular. “As consultas de rotina podem aguardar mais um pouco. Vamos anunciar qual o melhor momento e garanto: ninguém ficará sem atendimento. Mas, no momento, é importante a compreensão das pessoas. Apenas quem passa por uma situação de emergência deve ir ao posto de saúde”, sugere o médico.

Olesc e conferência são suspensas
A Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) analisou o calendário de competições da Olimpíada Estudantil de Santa Catarina (Olesc) e indicou uma nova data para o evento em Tubarão: de 29 de novembro a 5 de dezembro. O prefeito de Tubarão, Manoel Bertoncini (PSDB), foi informado desta possibilidade no fim da tarde de ontem e sinalizou positivamente quanto ao reagendamento.

Por indicação do governo do estado, a competição, programada para ocorrer entre os próximos dias 15 e 22, foi suspensa ontem. O motivo foi o aumento considerável da proliferação do vírus da gripe A(H1N1) na região de Tubarão. A conferência Regional dos Direitos da Criança e do Adolescente, também agendada para esta semana, foi adiada. Uma nova data será marcada.
“A decisão foi tomada em conjunto com o governo do estado e é uma medida preventiva. Não queremos criar pânico, e sim prevenir ao máximo a possibilidade da proliferação da doença”, enfatiza o prefeito e médico Bertoncini.

Fatalidade: Tio de vítima da gripe morre

Foi enterrado ontem à tarde, no cemitério da Ilhota, no interior de Tubarão, o tio da jovem Noemi Souza Martins Cascaes, 22 anos. Ela foi a segunda morte por complicações decorrentes da contaminação do vírus a (H1N1) em Santa Catarina e a primeira em Tubarão. Noemi estava grávida de seis meses de um menino. O bebê morreu em seu ventre, no dia 21 de julho, um dia antes dela falecer.

Jackson Martins era aposentado e tinha 31 anos. Ele começou a sentir os sintomas gripais no dia 26 de julho, três dias após o enterro de Noemi. Ele chegou a ficar internado, em observação, e foi liberado para isolamento domiciliar. No dia 31 de julho, Jackson passou mal e foi levado para a UTI. Segunda-feira, ele entrou em coma e faleceu às 4 horas de ontem.

Somente através dos exames, a morte em decorrência da nova gripe poderá ser confirmada. Porém, como ele convivia com Noemi e apresentou exatamente os mesmos sintomas e quadro evolutivo da doença, o mais provável é que Jackson seja a segunda morte por influenza A confirmada em Tubarão. Além dele, outros três óbitos são investigados na cidade e um em Laguna.