A sala da gerente de saúde em Tubarão, Maria Lúcia Mattos Gomes (E), foi transformada em uma miniunidade de resposta rápida contra a gripe A.
A sala da gerente de saúde em Tubarão, Maria Lúcia Mattos Gomes (E), foi transformada em uma miniunidade de resposta rápida contra a gripe A.

Zahyra Mattar
Tubarão

O vírus A (H1N1), responsável pela pandemia da nova gripe, pode ter feito a terceira vítima em Tubarão. O homem de 27 anos internado desde sábado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, morreu ontem. Com isso, três óbitos que podem ter sido ocasionados em decorrência da nova gripe estão sob investigação.

Um outro paciente está na UTI do Hospital Socimed. Não foi divulgada informações sobre os seu estado de saúde. Somente que ele tem graves problemas respiratórios. Conforme a última contagem da 20ª gerência de saúde em Tubarão, agora são 35 pessoas com suspeita de terem a doença na cidade.

Entre os possíveis contaminados, está um médico do corpo clínico do HNSC. Ele também é professor do curso de medicina da Unisul. A informação foi confirmada ontem ao Notisul. Do total de casos, 11 ainda estão em hospitais: dez no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) e um (o que está na UTI) no Socimed.
Ainda na região, há duas pessoas também internadas no Hospital de Caridade de Jaguaruna (HCJ). Com isso, na Amurel, contabiliza-se 13 casos suspeito hospitalizados. Todos os pacientes internados estão em quartos isolados e não oferecem risco de contaminação.

As outras 24 pessoas com suspeita recuperam-se bem em casa e não precisaram de internação hospitalar por apresentarem sintomas brandos de gripe. Desde o começo da pandemia, em maio, Tubarão registrou, ao todo, 37 casos suspeitos da enfermidade.
Destes, um foi confirmado (uma mulher de 26 anos) e um foi descartado (um homem). Todos os outros ainda aguardam o resultado dos exames laboratoriais para saber se trata-se, ou não, da nova gripe.

“É o mesmo vírus da gripe
espanhola”, alerta médico

A situação de Tubarão em relação à disseminação do vírus A (H1N1), responsável pela pandemia da nova gripe pelo mundo, começa a preocupar as autoridades de saúde. Esforços são concentrados para tirar os pacientes com suspeita da doença de circulação. Cartazes e material elucidativo são distribuídos nos lugares de grande concentração populacional.

Mesmo que o Brasil passe a produzir uma vacina contra a doença no próximo ano, conforme já anunciou o Ministério da Saúde, o vírus A continuará a circular. O mesmo ocorreu com a gripe comum. “Ser contaminado pelo vírus H1N1 não é mais ‘privilégio’ de quem viaja para o exterior”, sublinha o pneumologista Renato Matos, de Criciúma.

Segundo ele, oficialmente a região tem quatro casos confirmados (um em Tubarão), mas o número deve estar bem acima disso. O médico estima que, em poucos dias, o vírus terá atingido dois bilhões de pessoas. “E pelo menos 45 milhões de pessoas apresentarão um quadro grave. A preocupação principalmente é quanto ao próximo inverno, quando o vírus pode estar ainda mais forte”, avalia Renato.

O pneumologista compara a nova influenza com a gripe espanhola, cuja enfermidade dizimou milhares de pessoas no mundo. “As pessoas falam que a gripe comum mata mais, mas esquecem de levar em consideração que este é um vírus novo e extremamente violento. A gripe comum mata, mas atinge mais um grupo de riscos (como os idosos, por exemplo). A gripe A não é assim. Trata-se do vírus comum que sofreu mutação e a cada década fica mais agressivo, como agora. Este é basicamente o mesmo vírus da gripe espanhola”, alerta Renato.