Amanda Menger
Tubarão

Para os tubaronenses, o tema enchente é muito caro. Afinal, a história do município é marcada por diversas ocorrências de cheias no rio. Em algumas, como em 1974, o estrago foi grande: 199 vidas perderam-se e a cidade ficou destruída. Há 15 dias, as chuvas intensas (a precipitação foi de 200 milímetros em três dias) assustaram a população.

Na madrugada de 22 para 23 de novembro, o rio Tubarão chegou a 4,70 metros acima do nível normal. Durante o domingo, dezenas de pessoas fizeram uma vigília silenciosa na régua que mede o nível do rio. Todas queriam saber como o Tubarão comportava-se. A preocupação era visível. Se a lâmina de água tivesse chegado a 5,3 metros, as áreas mais baixas da cidade, como Campestre e Madre, começariam a alagar. A 5,70 metros, outras regiões também seriam tomadas pela água. E acima disso o estrago seria proporcionalmente maior.

Mas você, caro leitor, saberia o que fazer se o nível do rio tivesse subido mais? Saberia para onde ir? Para quem pedir socorro? O que levaria consigo? Para o coordenador da Defesa Civil em Tubarão, Edvan Nunes, é difícil dar ‘uma receita’ do que fazer. “É preciso estar na situação para dizer o que seria melhor fazer. Dependendo da altura da água, as indicações são diferentes”, justifica.
Edvan garante que há 15 dias a situação estava sob controle. “Monitorávamos o nível do rio em outras cidades. Não choveu tanto nas cabeceiras do rio. A precipitação maior foi aqui. Por isso, estávamos tranquilos mesmo quando o rio chegou a 4,70 metros”, assegura.

Segundo ele, o importante é tentar manter a calma e priorizar a vida. “Não adianta listar o que as pessoas devem levar, o que devem deixar para trás. Na hora que a água vem, ela leva o que estiver pela frente. E sempre, sempre, o importante é a vida humana. Os bens materiais, em momentos de catástrofe, são irrelevantes”, avalia.

Trabalho da Defesa Civil é integrado e utiliza a estrutura pública

Na manhã do dia 23 de novembro, quando o rio Tubarão chegou a 4,70 metros acima do nível normal durante a madrugada, a Defesa Civil do município chegou a montar um abrigo para alojar possíveis desabrigados. “Tínhamos informações, repassadas pelo Corpo de Bombeiros, de que uma família na Madre precisaria sair de casa. Fomos até o local e, quando chegamos, eles já estavam com familiares. Outros casos também ocorreram, como a pedra que rolou no KM 60 e a casa que desabou em São Martinho. Em todos os casos, eles foram para casa de parentes”, lembra o coordenador da Defesa Civil no município, Edvan Nunes.

O abrigo foi montado no ginásio José Warmuth Teixeira. Para o local foram levados colchões cedidos pelo Exército, mantimentos e água. “Se precisasse, teríamos como atender as pessoas. A Defesa Civil trabalha integrada com os órgãos de segurança pública e com as secretarias da prefeitura”, afirma.

Segundo Edvan, a Defesa Civil ficou de prontidão. “Apesar de não termos uma rede de monitoramento do rio, temos contatos em Orleans, Braço do Norte e Urussanga. Por eles, sabemos como está a chuva e as cheias nestes pontos do rio. Entre chover nas cabeceiras e o volume de água chegar a Tubarão leva três horas e meia. Seria o tempo necessário para articular as medidas. Além disso, como já existe a preocupação da população com o rio, ficaria mais fácil dar o alerta”, argumenta.

Como o trabalho é integrado, todos os órgãos são avisados. “Dependendo da situação fazemos o encaminhamento. Temos um cadastro de escolas, ginásios e outros prédios que poderiam receber desabrigados e, dependendo da gravidade do caso, fazemos a indicação de qual estrutura será utilizada. Porque não adianta abrir uma escola na Madre se lá já está alagado”, observa.