Zahyra Mattar
Tubarão
 
O pedido de apelação à sentença dada ao ex-gestor   da Campeiro, Alexandre Augusto Pereira Tavares, foi protocolado ontem à noite pelo Ministério Público Federal, autor da ação que culminou na condenação do empresário de Tubarão.
 
A sentença do juiz federal João Batista Lazzari foi proferida no último dia 17, após dois anos de tramitação. Alexandre, representante legal da Campeiro, deverá cumprir pouco mais de cinco anos e meio de reclusão, em regime aberto.
 
A condenação foi embasada nas leis 9.613/98 (crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos ou valores) e 7.492/86 (crimes contra o sistema financeiro nacional). Assim como o MPF contesta o resultado, Alexandre poderá fazer o mesmo.
 
Conforme a denúncia de autoria do procurador da república em Tubarão, Celso Três, o ex-administrador é acusado de praticar estelionato em empréstimos com o governo federal (EGFs) no valor de R$ 20 milhões.
 
Na peça, Celso Três afirma que, em 2007 e 2008, ele firmou contratos de empréstimos, dando como garantia os mesmos grãos e alienando outros. Além dos EGFs, outras operações bancárias, igualmente lastreadas em dinheiro público da União, tiveram garantia defraudada.
 
O caso veio à tona em 25 de março de 2009, quando os 130 funcionários da Campeiro foram dispensados. Pouco tempo depois, em  6 de abril, as demissões foram confirmadas.
 
Produtores ainda não receberam nenhum centavo
Passados dois anos do fechamento da Campeiro, em Tubarão, muitos produtores que venderam suas safras à empresa de beneficiamento de arroz ainda aguardam um posicionamento da justiça em relação à dívida que ficou.
 
A estimativa do Ministério Público Federal é que a Campeiro deva cerca de R$ 20 milhões. Deste valor, R$ 1,4 milhão é do rizicultor Alfredo Lemos Filho, de Tijucas, Grande Florianópolis.
 
Mesmo a notícia da condenação do ex-gestor da empresa, Alexandre Augusto Pereira Tavares, não traz esperança ao produtor. “Não acredito que vá ter meu investimento de volta. Na verdade, prefiro nem alimentar esta esperança, caso contrário acho que enlouqueço”, desabafa Alfredo.
 
Ainda hoje, ele paga os empréstimos, algo em torno de R$ 400 mil, feitos para custear a safra e os novos equipamentos que comprou em 2008. “É de desanimar. Este país é bom para quem rouba. Quem trabalha não vê justiça”, reclama.
 
Alfredo é rizicultor desde 1985 e por sete anos comercializou o arroz com a Campeiro. O produtor entrou com uma ação judicial para receber os valores devidos, mas até agora não tem qualquer resposta sobre o caso.