Os gastos com a folha de pagamento dos trabalhadores poderão comprometer os investimentos em hospitais.
Os gastos com a folha de pagamento dos trabalhadores poderão comprometer os investimentos em hospitais.

Amanda Menger
Tubarão

O salário mínimo regional em Santa Catarina passará a valer a partir da próxima semana, com a virada do ano. Por um lado, os trabalhadores festejam esta conquista; por outro, os empregadores estão preocupados com o impacto que a medida terá na folha de pagamento. Uma das áreas mais receosas é a saúde, em especial os hospitais.
Os profissionais da saúde não poderão ganhar menos do que R$ 616,00.

“Esse piso é válido para todos, seja técnico em enfermagem ou recepcionista, por exemplo. Acreditamos que o aumento é justíssimo, mas a nossa preocupação é com relação ao custo disso, já que os serviços prestados pelos hospitais não terão reajuste. Como iremos arcar com isso?”, questiona o presidente da Federação dos Hospitais de Santa Catarina (Fehoesc), Tércio Kasten.

Cálculos da federação indicam um impacto na folha de 22%, sendo que nos hospitais do sul o índice ficará entre 10% e 15%. “Isso porque não é só o piso. A insalubridade também aumenta – já que é proporcional ao salário base -, e praticamente todos os profissionais de saúde a recebem”, argumenta Tércio.
O agravante é que a remuneração pelos serviços não é estabelecida pelos hospitais, e sim pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelos planos de saúde. “A defasagem, hoje, sem o impacto do mínimo regional, pode chegar até a 400% no SUS”, exemplifica Tércio.

Na avaliação da federação, o aumento da folha não chega a inviabilizar o funcionamento dos hospitais, mas trará prejuízos aos pacientes. “Se não ocorrem demissões, também não haverá contratações. Outros investimentos terão que ser revistos”, observa o presidente.

Tubarão
Segundo a assessoria da imprensa do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), a instituição ainda não fez um estudo sobre impacto financeiro do salário mínimo regional na folha de pagamento.