Carolina Carradore
Tubarão

A merenda escolar terceirizada ainda nem foi implantada em todos os colégios do estado e já provoca sérias polêmicas. De um lado, estão os alunos, que adoraram a novidade e fazem filas para provar a nova comida. De outro, os professores, que estão proibidos de se quer provar uma ‘colherinha’ da merenda. Em Tubarão, eles também reclamam do desperdício. A quantidade que sobra é jogada fora.

Muitos educadores passam o dia nas escolas. Antes, eles ainda faziam uma ‘boquinha’ na hora do recreio. Agora, nem podem entrar na cozinha. “A gente observa eles jogarem muita comida fora, fazem demais, não têm controle. Não podemos comer, somos humilhados”, lamenta um professor.

Outro educador também reclama do novo sistema. “Não tenho tempo de ir para casa. A comida é boa, mas ficamos só sentindo o cheirinho”, conta.
O desperdício é citado. “Enfatizamos para os nossos alunos da situação de miséria no mundo, que não podemos desperdiçar o alimento, mas na própria escola o exemplo não é dado”, reclama outro funcionário. Uma professora grávida chegou a ser impedida de experimentar a comida. “O cheiro estava muito bom, pedi só um pouquinho, mas não me deram”, relata.

Normas
Todas as empresas que distribui a merenda escolar têm 120 dias para se adequar às normas do estado. Neste período, fica sob a responsabilidade da terceirizada trocar fogões, geladeiras velhos e utilizar pratos de vidros.

Fase de adaptação

A diretora de apoio ao estudante da secretaria de educação do estado, Rogéria Diogoli, lembra que o professor nunca pôde comer a merenda escolar. Se antes isso ocorria, era ilegal, pois, segundo ela, o estado fornece ao educador R$ 132,00 de vale-alimentação. Quantos às queixas de desperdício, ela admite que o processo é novo e os erros são inevitáveis.

Porém, o estado não sai perdendo, uma vez que é cobrado apenas o prato fornecido ao aluno. “Pagamos R$ 1,54 por refeição feita. O que sobra não sai do nosso bolso. Nosso maior objetivo é levar um ensino adequado ao aluno e, para isso, precisam de uma alimentação saudável”, observa.

Pouco tempo para se alimentar

A diretora do colégio estadual Henrique Fontes, Fabíola Cechinel, elogia a comida oferecida pela empresa terceira, mas admite que o novo sistema precisa de readequação.
Ela cita como exemplo o horário restrito do recreio. São 15 minutos de intervalo. “Alguns alunos ficaram sem aula porque não deram conta de comer”, relata.

Outro problema no Henrique Fontes é o desperdício. São mais de mil alunos, mas nem todos comem a merenda. “O que sobra é descartado. Elas podem fazer menos para não sobrar”, sugere. Fabíola também é a favor da alimentação ser servida aos funcionários. “Também acho importante o professor comer junto com aluno para servir de incentivador à alimentação”, analisa.