Zahyra Mattar
Tubarão

A microempresária tubaronense Karla Rodrigues compra, em média, 20 litros de leite por mês. A cada três dias, o seu filho, Dener Rodrigues de Oliveira, 14 anos, consome cerca de dois litros a cada três dias. Isso quando não está com muita vontade. “Tem vezes que vai um litro de leito no café da tarde. Ele adora”, confirma a mãe.

Karla sente no bolso a vontade do filho. Paga, em média, R$ 2,00 por litro de leite. “Subiu muito. Dependendo do lugar onde compro, o preço é mais alto ainda. Antes, eu pagava aproximadamente R$ 1,60”, observa. E os números mostram este aumento: em abril, o consumidor pagava R$ 1,30 pelo litro do produto, hoje, não consegue comprá-lo por menos de R$ 1,90. As marcas mais caras chegam a cobrar R$ 3,00 pelo mesmo leite que há 60 dias era vendido por menos de R$ 2,00.

Esta alta no valor do alimento tem uma explicação. A extensão dos prejuízos provocados pela seca que assolou Santa Catarina nos últimos meses não ficou restrita ao campo, onde as perdas somam R$ 400 milhões. Nos supermercados, os preços de alguns produtos – principalmente o leite – dispararam. Em dois meses, o reajuste já chega a 40%.

No último mês, o valor do litro do leite aumentou cerca de 5% por semana, o equivalente à inflação de um ano todo. “A seca do oeste teve reflexo positivo para o produtor de leite da nossa região. Lá, eles não conseguiram plantar as pastagens de inverno. Aqui, foi o contrário. O aumento no valor é reflexo direto desta interpérie climática”, explica o gerente regional da Epagri em Tubarão, Luiz Marcos Bora.

Antes da seca, o produtor ganhava R$ 0,55 por litro de leite, praticamente o mesmo investido na produção. Hoje, o valor está de 25% a 30 % maior, entre R$ 0,70 a R$ 0,75. Bora acredita que haverá pelo menos mais um aumento de preço em breve. “Isto depende do mercado nacional. Mas há uma expectativa de que o valor chegue a R$ 0,80 para o produtor”, avalia Bora.

Mercado
A Amurel produz pouco perto do oeste catarinense, por exemplo. São entre 400 e 420 mil litros por dia. Mais da metade, entre 60% e 70%, é consumido na própria região. O restante é vendido para a indústria. Ao todo, a regional da Epagri em Tubarão coordena quatro mil produtores de leite nos municípios da Amurel, além das cidades de Paulo Lopes e Garopaba.